Pré-candidatos se movimentam para 2026: eleição presidencial ganha corpo nos bastidores

Pré-candidatos se movimentam para 2026: eleição presidencial ganha corpo nos bastidores
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de setembro de 2025 6

Brasília — A menos de dois anos da eleição presidencial, os principais partidos intensificam movimentos discretos em busca de espaço político. Os pré-candidatos à Presidência da República em 2026 ainda evitam declarações públicas, mas a movimentação nos corredores do Congresso Nacional e nos governos estaduais já sinaliza estratégias de longo prazo.

Alianças e estratégias

Na direita, a indefinição sobre o papel de Jair Bolsonaro após condenações judiciais abriu disputa por sucessão. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, é pressionado a decidir entre disputar a reeleição estadual ou lançar candidatura nacional. Romeu Zema (Novo) trabalha para se consolidar como alternativa liberal, enquanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP) busca herdar a base ideológica do pai.

Na esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta manter influência no processo sucessório. A aposta é consolidar alianças com partidos como PSB, PDT e MDB, garantindo palanques regionais robustos. Nomes ligados ao Planalto, como a ministra Simone Tebet, também são cogitados como alternativas de renovação dentro do campo governista.

No centro político, figuras como Rodrigo Pacheco (PSD) articulam alianças para evitar o esvaziamento do espaço moderado e podem se tornar peças-chave em eventual segundo turno.

Congresso como palco de ensaios

O Congresso Nacional funciona como laboratório para as articulações. Votações sobre reforma tributária, fundão eleitoral e pautas econômicas têm servido de termômetro para medir a força das bancadas e testar futuras alianças. Líderes partidários intensificaram reuniões reservadas em Brasília, avaliando não apenas o impacto nacional, mas também as consequências para eleições estaduais.

Segundo o cientista político Cláudio Couto, da FGV, “a movimentação antecipada revela que 2026 será mais do que uma disputa presidencial. É um jogo de sobrevivência no qual governadores, parlamentares e partidos tentam alinhar interesses regionais com a corrida nacional”.

Reflexos nos estados

Em Minas Gerais, Zema articula apoios que podem influenciar alianças além das fronteiras estaduais. Em São Paulo, a indefinição de Tarcísio gera tensão entre Republicanos, PL e PSD, que disputam protagonismo. No Nordeste, reduto histórico da esquerda, o PT aposta em palanques regionais com apoio de governadores aliados para garantir vantagem inicial.

Governadores de centro também entram no jogo, avaliando de que forma o apoio a determinados presidenciáveis pode garantir recursos federais e fortalecer suas próprias reeleições.

Cenário aberto

Com a fragmentação da direita, a tentativa de Lula de manter hegemonia na esquerda e o esforço do centro para não perder relevância, o cenário para 2026 segue indefinido. Especialistas avaliam que a eleição deve repetir a lógica dos últimos pleitos: polarização acentuada, pulverização de candidaturas no primeiro turno e necessidade de amplas recomposições políticas no segundo.

“O que está em jogo não é apenas quem chega ao Planalto, mas como se organiza o sistema político para os próximos anos. A disputa presidencial de 2026 terá impacto direto na correlação de forças do Congresso e nas negociações com governadores”, afirma Cláudio Couto.

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