Empresários pressionam saída de Joseph Madeira da Acipa em meio à Operação Fames-19
Empresários de Palmas defendem o afastamento de Joseph Madeira da presidência da Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa). A avaliação é de que sua permanência compromete a atuação da entidade em um momento de desgaste político e judicial. Madeira é investigado pela Operação Fames-19, que apura supostos desvios de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.
A discussão ganhou força após declarações do vereador Carlos Amastha (PSB), que afirmou que Joseph não havia sido convidado para o lançamento do Natalzão CDL 2025, realizado no último dia 18, no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Apuração da reportagem, no entanto, confirma que o presidente da Acipa esteve convidado, embora a associação não figure entre os organizadores do evento, restritos à CDL, prefeitura de Palmas, Conselho de Inovação e Desenvolvimento Econômico (Cidep), Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços e governo do Tocantins.
Para o setor empresarial, a questão vai além de convites para solenidades. A insatisfação se concentra na dificuldade da entidade em manter protagonismo sob a atual gestão. O maior exemplo é a Fenepalmas, feira de negócios que representava o principal evento da Acipa e que não ocorre desde 2022. Em 2024, chegou a ser articulada uma nova edição, com aporte de R$ 1,2 milhão aprovado pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (CDE). Com a deflagração da primeira fase da Fames-19, em agosto, o evento foi novamente cancelado.
Além das dificuldades administrativas, empresários apontam que Joseph perdeu condições políticas de representar a Acipa junto a autoridades e instituições. Por determinação judicial, ele não pode manter contato com outros investigados. Fontes relatam também resistência de lideranças políticas em recebê-lo. “Será que o governador Laurez Moreira vai querer recebê-lo?”, questionou um dos entrevistados.
A crise interna se acentuou no ano passado, quando seis diretores da entidade pediram afastamento após a deflagração da operação. Eles chegaram a solicitar que Joseph deixasse a presidência para preservar a imagem da Acipa e se concentrar na defesa. Como ele recusou, os cargos foram ocupados por nomes considerados de menor influência, mais alinhados ao atual presidente.
A pressão também ocorre no campo político. Nas redes sociais, o vereador Amastha tem reforçado críticas. Em comentários no Instagram da Câmara de Comércio e Turismo, o parlamentar escreveu que as acusações são “muito graves” e que Joseph deveria renunciar. Em outra postagem, foi mais enfático: “Prova é o que tem de sobra. Renuncie, Joseph. Vergonha na cara. Pare de prejudicar os comerciantes.”
A presidência da Acipa não se manifestou até a publicação desta reportagem.