Imposto de Renda: veja quem são os 18 deputados que não votaram pela isenção para os mais pobres
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1087/25, que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais e cria cobrança adicional para rendas acima de R$ 600 mil ao ano. A medida recebeu 493 votos favoráveis e nenhum voto contrário, em votação considerada histórica. Mas um grupo de 18 deputados federais não participou da deliberação, o que já gera repercussões no cenário político.
Quem não votou
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Detinha (PL-MA)
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Eduardo Bolsonaro (PL-SP)
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José Medeiros (PL-MT)
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Nelson Barbudo (PL-MT)
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Vinicius Gurgel (PL-AP)
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Geraldo Mendes (União-PR)
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Marcos Soares (União-RJ)
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Fausto Pinato (PP-SP)
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Zé Adriano (PP-AC)
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Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG)
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Juarez Costa (MDB-MT)
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Nelinho Freitas (MDB-CE)
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Mauro Benevides Filho (PDT-CE)
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Fábio Macedo (Podemos-MA)
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Samuel Santos (Podemos-GO)
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Luizianne Lins (PT-CE)
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Pastor Marcos Feliciano (PL-SP)
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Luciano Alves (PSD-PR)
Três chegaram a registrar presença, mas não votaram: Luizianne Lins (PT-CE), que estava em missão humanitária na Faixa de Gaza; Pastor Marcos Feliciano (PL-SP); e Luciano Alves (PSD-PR).
Alguns parlamentares justificaram ausência por motivos de saúde: Fausto Pinato (PP-SP) está em licença médica após cirurgia; Mauro Benevides Filho (PDT-CE) se recupera de um AVC; e Nelson Barbudo (PL-MT) apresentou atestado médico. Já Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está nos Estados Unidos desde fevereiro, em agenda política com autoridades americanas.
Análise política
Embora não haja votos contrários, as ausências têm peso simbólico. Para cientistas políticos, em um projeto com forte apelo popular, não registrar voto pode ser usado em campanhas eleitorais como argumento contra parlamentares. O projeto corrige uma defasagem de mais de 20 anos na tabela do IR, e parlamentares que não se posicionaram terão de justificar aos eleitores por que não participaram da votação.
Fala de especialista
Para o cientista político Rafael Nogueira, professor da Fundação Brasileira de Políticas Públicas, o impacto vai além do campo econômico.“A aprovação foi praticamente unânime e coloca em evidência quem não esteve presente. O eleitor comum dificilmente entende as nuances de licença médica ou missões externas. Na comunicação política, a ausência é traduzida como falta de compromisso. Em 2026, esse será um dos temas de ataque em debates e campanhas, porque se trata de uma medida que beneficia a base da pirâmide e penaliza o topo. Isso dá discurso tanto para a esquerda quanto para a direita.”
Nogueira lembra ainda que a ausência em votações populares pode custar caro em Estados onde a classe média e baixa representam o grosso do eleitorado. “No passado, parlamentares que não se posicionaram em votações de impacto social viraram alvo de narrativas que os pintaram como distantes da realidade do povo. A política tem memória curta em alguns temas, mas quando envolve bolso do trabalhador, a memória é longa”, completou.