“Estão nos vigiando”: gestão interina denuncia escutas em prédios públicos e veículos do governo
A gestão interina do Governo do Tocantins declarou ter identificado equipamentos de escuta clandestina instalados dentro de secretarias e veículos oficiais. A informação foi divulgada pelo portal Gazeta do Cerrado neste sábado (4). O caso levantou preocupações sobre possíveis práticas de espionagem política e vazamento de informações sigilosas dentro da administração pública estadual.
De acordo com a reportagem, os dispositivos teriam sido encontrados durante uma varredura de segurança institucional, motivada por suspeitas internas. As equipes técnicas foram acionadas após relatos de servidores sobre movimentações e comportamentos suspeitos em repartições públicas. A gestão interina acredita que os equipamentos possam ter sido instalados ainda durante a administração anterior, mas as investigações seguem em andamento.
“Eu não tenho dúvida disso. São pessoas que têm alguma culpa no cartório e é evidente que estão querendo saber o que estão apurando. Escuta dentro de veículos, dentro de secretarias, essas coisas todas. Tem que olhar, verificar, que são coisas difíceis de descobrir quem fez, mas a gente está tentando descobrir”, afirmou uma das fontes ouvidas pela Gazeta do Cerrado.
Governo anterior nega irregularidades
A equipe do ex-governador Wanderlei Barbosa reagiu à denúncia e informou ao portal que não há provas concretassobre a existência das escutas. Em nota, a antiga gestão afirmou que “não tem nada a dizer sobre supostas escutas ilegais” e que nenhum membro da administração anterior foi acusado de envolvimento com os equipamentos encontrados.
O caso é considerado grave e pode configurar crime de interceptação ilegal de comunicações, previsto nos artigos 10 e 12 da Lei nº 9.296/1996, que trata do uso indevido de dispositivos de escuta sem autorização judicial. Especialistas em segurança pública afirmam que, se confirmadas as denúncias, o episódio pode gerar responsabilização criminal e administrativa de servidores e ex-integrantes do governo.
Apuração em andamento
A gestão interina declarou que segue com as perícias técnicas para identificar a origem e o funcionamento dos dispositivos. O material apreendido será analisado por órgãos competentes, e um relatório técnico deve ser apresentado ao Ministério Público Estadual nos próximos dias.
O caso também reacende discussões sobre a segurança das informações institucionais dentro do governo tocantinense e os mecanismos de controle sobre o uso de equipamentos eletrônicos em órgãos públicos.