PP afasta ministro André Fufuca por descumprir orientação partidária e assume controle do diretório maranhense
O Progressistas (PP) anunciou nesta terça-feira (8) o afastamento do ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), de todas as decisões partidárias e da vice-presidência nacional da legenda. A decisão foi oficializada em nota assinada pelo senador Ciro Nogueira, presidente nacional do partido, e publicada nas redes sociais da sigla.
Segundo o comunicado, Fufuca foi afastado por “desobedecer à orientação da Executiva Nacional”, ao decidir permanecer no Ministério do Esporte mesmo após o partido determinar o rompimento formal com o governo federal. O documento também informa que o PP fará intervenção no diretório estadual do Maranhão, retirando o controle da legenda das mãos do ministro.
“O Progressistas comunica que, diante da decisão de desobedecer à orientação da Executiva Nacional e permanecer no Ministério do Esporte, o ministro André Fufuca fica, a partir de agora, afastado de todas as decisões partidárias, bem como da vice-presidência nacional do partido”, diz o texto da nota.
Contexto da crise interna
A decisão é mais um capítulo da tensão entre partidos do Centrão e o governo Lula.
Desde setembro, a Executiva Nacional do PP havia determinado que seus filiados se afastassem de cargos federais, como parte de uma reestruturação política da legenda para as eleições de 2026.
Mesmo assim, André Fufuca manteve-se no comando do Ministério do Esporte e participou de agendas oficiais ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O gesto foi interpretado como um desafio direto à liderança partidária e à posição de independência que o PP tenta consolidar no Congresso.
De acordo com o presidente da sigla, Ciro Nogueira, o partido “não faz nem fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”.
Intervenção no diretório do Maranhão
Além do afastamento de Fufuca das instâncias nacionais, a direção do PP confirmou que realizará intervenção no diretório estadual do Maranhão, que era presidido pelo ministro.
Com a decisão, o comando local da legenda passará a ser nomeado diretamente pela Executiva Nacional.
Segundo apuração da Revista Oeste, a medida busca reorganizar o partido no estado e impedir que a estrutura regional seja usada em favor de projetos eleitorais pessoais.
Repercussão política
O afastamento provocou reações distintas entre lideranças do Congresso.
Deputados próximos a Fufuca consideraram a decisão “política e desproporcional”, enquanto aliados de Ciro Nogueira afirmam que o partido precisava reafirmar sua coerência ideológica.
Em entrevista recente, Lula criticou a movimentação dos partidos que decidiram sair da base:
“Se as coisas estão dando certo, por que mexer? Por que essa pequenez de querer deixar de ser ministro por disputa política?”, declarou o presidente, segundo o InfoMoney.
O caso também repercutiu entre colunistas e analistas políticos, que veem o episódio como um sinal de enfraquecimento da unidade do Centrão e possível rearranjo de forças para 2026.
Impactos e próximos passos
A intervenção do PP no Maranhão pode comprometer as bases políticas de André Fufuca, que vinha sendo cotado como pré-candidato ao Senado em 2026.
Além disso, o episódio aumenta a pressão sobre outros ministros de partidos aliados que ainda ocupam cargos no governo federal.
Analistas apontam que a disputa entre Fufuca e Ciro Nogueira marca um divisor de águas no reposicionamento do PP — um partido que tenta equilibrar sua imagem entre pragmatismo de base e oposição programática ao Planalto.