Dia das Crianças 2025 movimenta comércio, redefine o consumo infantil e transforma Goiânia em capital das experiências familiares

Dia das Crianças 2025 movimenta comércio, redefine o consumo infantil e transforma Goiânia em capital das experiências familiares
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de outubro de 2025 13

O Dia das Crianças de 2025 consolida uma nova forma de celebrar a infância no Brasil. Mais do que uma data comercial, o 12 de outubro se torna um ritual de convivência e afeto, impulsionado por um comércio que aposta em experiências, emoção e pertencimento. Em Goiânia e no Tocantins, a movimentação é intensa: shoppings, polos atacadistas e associações comerciais transformaram o mês em uma vitrine de eventos e campanhas que unem lazer, varejo e vínculos familiares.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e do Sindilojas-GO, o Dia das Crianças de 2025 deve registrar o melhor desempenho da década. O varejo goiano espera superar os R$ 278 milhões movimentados em 2024, acompanhando a projeção nacional de R$ 9,96 bilhões, o maior volume desde 2015. O crescimento é de 1,1% em relação ao ano anterior, e reflete o fortalecimento do varejo físico e das estratégias híbridas, que combinam atendimento presencial, e-commerce e campanhas digitais.

Em Goiânia, o polo de moda atacadista também entrou no clima. O Mini Moda, pertencente ao Grupo Mega Moda, preparou uma programação voltada às famílias e aos lojistas, com atividades infantis, música, personagens e sorteio de vale-compras de R$ 1 mil. Segundo Paula Sepulveda, gerente de marketing do grupo, o objetivo é transformar o espaço atacadista em um ambiente de experiência: “O Mini Moda é o único shopping do país especializado no público infantojuvenil, com 20 marcas — 16 delas com fabricação própria. Nosso foco é unir preço competitivo, relacionamento humano e alegria em cada compra. O Dia das Crianças é um convite para celebrar o lúdico, não apenas o consumo”.

O Mega Moda Shopping e o Mega Moda Park também participam da campanha “Compre e Ganhe”, que presenteia os clientes com livrinhos de colorir e reforça o elo entre moda, infância e criatividade. A expectativa é atrair compradores de todo o país, principalmente de Tocantins, Maranhão, Pará e Minas Gerais, consolidando Goiânia como o principal polo atacadista do Centro-Oeste.

Nos grandes shoppings da capital, o clima também é de festa. No Flamboyant Shopping, o Dia das Crianças ganha uma programação especial com o Planeta Imaginário, brinquedoteca com monitores, e o T-Rex Park, parque de dinossauros animatrônicos com experiências imersivas. O shopping também realiza a “Baladinha dos Minions”, com distribuição de picolés e atividades gratuitas. “Nosso objetivo é criar memórias afetivas, não apenas vender produtos”, afirma João Ricardo Gusmão Ladeia, superintendente comercial. “A infância é um ativo emocional e a experiência em família é o que mais fideliza o consumidor.”

No Passeio das Águas Shopping, a aposta foi na nostalgia com tecnologia. A campanha “Mês das Crianças Gigante” sorteará três consoles Nintendo Switch 2 e distribuirá milk-shakes temáticos da Amuur Milkshake no sabor “Disquete Chiclete”. A gerente de marketing Victória Soares explica que a ação une duas paixões universais — tecnologia e infância — para aproximar pais e filhos em torno da experiência compartilhada.

O clima de celebração se espalha por todo o estado. No Tocantins, associações comerciais e empresariais de cidades como Palmas, Araguaína, Gurupi e Paraíso intensificam ações de fomento às vendas. Segundo o presidente da Faciet, Fabiano do Vale, o Dia das Crianças é um motor para o pequeno comércio: “As datas comemorativas geram empregos, impulsionam o consumo local e fortalecem o associativismo. O Tocantins está mobilizado para aproveitar o momento com promoções, eventos e experiências voltadas às famílias”.

Mas o fenômeno vai além da economia. Um novo comportamento parental e infantil redefine as relações de consumo, segundo pesquisa nacional da Hibou — Pesquisa e Insights de Consumo. O levantamento, realizado entre 1º e 3 de outubro de 2025 com 1.847 entrevistados, revela que 49% dos consumidores pretendem gastar menos, mas a data se fortalece como um momento de conexão e convivência, com 31% dos brasileiros declarando que o Dia das Crianças é “um dia para aproveitar ao lado das crianças” — um crescimento de três pontos percentuais em relação a 2024.

A pesquisa também mostra uma mudança de percepção: 36% ainda veem a data como “puramente comercial”, mas esse número caiu nove pontos em comparação ao ano anterior, enquanto a percepção simbólica e afetiva aumentou. Para Ligia Mello, Chief Strategy Officer da Hibou, essa mudança revela uma revolução emocional silenciosa: “O brasileiro começa a compreender o consumo como um gesto de vínculo. O presente ideal não é o mais caro, mas o que carrega sentido — uma lembrança, uma vivência, um tempo compartilhado. Isso redefine as campanhas, as marcas e a própria lógica do varejo.”

A análise da Hibou também traça o perfil da criança contemporânea: digital, curiosa, participativa e consciente. O YouTube é o principal canal de entretenimento, usado por 54% das crianças, seguido de TikTok (41%), Netflix e Disney+ (26%), e plataformas de games como Roblox (15%) e Minecraft (12%). Essa geração vive conectada e tem papel direto nas decisões de compra da família — 44% dos pais afirmam que os filhos influenciam o que será comprado, e 15% dizem que as crianças têm voz ativa em questões como alimentação e meio ambiente.

Quase metade (49%) das crianças segue algum influenciador digital. Luccas Neto lidera com 17% das menções, seguido de Felipe Neto (12%), Ana Castela (6%), Enaldinho (6%) e Gato Galáctico (4%). O levantamento também mostra que Stitch (18%), Homem-Aranha (8%) e Turma da Mônica (5%) são os personagens preferidos, combinando ícones globais e nacionais.

Para Ligia Mello, o que ocorre é um “processo de alfabetização emocional e midiática precoce”: “As crianças aprendem a lidar com desejo, frustração e pertencimento desde cedo, a partir das telas. Elas não são mais apenas alvo do marketing, mas agentes culturais. As marcas que entenderem isso — e que tratarem as crianças com respeito e inteligência — terão a fidelidade de uma geração inteira.”

O estudo também aponta um dado simbólico: 70% dos pais acreditam que o melhor presente é ‘algo que a criança realmente gosta’, 24% valorizam o caráter educativo e 23% consideram o convívio familiar o maior presente. A média de gasto para a data é de até R$ 250, com destaque para brinquedos (42%), passeios (32%) e vestuário (30%). A maioria dos lares (71%) afirma que passará o dia assistindo TV ou filmes com as crianças, confirmando a força das plataformas de streaming como espaço afetivo.

Em Goiânia, marcas locais também reforçam o aspecto emocional. A Duo Gelatto, rede goiana de sorvetes, lançou a linha kids “Turma do Duduo”, com sabores coloridos, copos colecionáveis e o clássico efeito “pinta-língua”. “Unimos sabor, cor e memória afetiva. A infância mora no paladar”, diz a diretora criativa da marca, Larissa Queiroz.

O Dia das Crianças, portanto, não é apenas um evento econômico. Ele se transforma em um retrato do Brasil contemporâneo — um país que aprende a equilibrar consumo e consciência, tecnologia e afeto, mercado e memória. Em Goiânia e no Tocantins, a data reafirma o poder simbólico da infância como um território de encantamento coletivo, capaz de movimentar bilhões de reais e, ao mesmo tempo, reacender a ternura de um país inteiro.

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