MPTO investiga FTF por suspeita de manipulação e irregularidades
O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) instaurou um procedimento administrativo para investigar suspeitas de manipulação de resultados, irregularidades estatutárias e supostos privilégios na Federação Tocantinense de Futebol (FTF).
A decisão, assinada pelo promotor Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira, da 15ª Promotoria de Justiça da Capital, foi publicada na edição nº 2256 do Diário Oficial do MPTO, em 8 de outubro de 2025.
A portaria nº 5502/2025 cita indícios de condutas atípicas e questionáveis por parte da direção da FTF, especialmente no Campeonato Tocantinense de 2025, envolvendo o União Atlético Clube e o atleta Gleykson Eduardo Lopes Pereira, conhecido como “Sheik”.
Segundo o MP, há “indícios de manipulação de resultados” e possíveis crimes previstos nos artigos 41-C, 41-D e 41-E do Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/2003).
Irregularidades apontadas
A denúncia, feita de forma anônima, levanta uma série de questionamentos sobre a gestão da federação:
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Salários elevados de dirigentes, considerados desproporcionais à realidade dos clubes locais;
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Inclusão de restrição considerada ilegal para candidaturas à presidência e vice-presidência, exigindo um ano mínimo de “serviços prestados ao futebol tocantinense”;
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Desigualdade no peso dos votos durante eleições da FTF, que daria vantagem a clubes da 1ª Divisão e limitaria a participação de associações amadoras.
Casos investigados
Entre os fatos investigados estão a escalação irregular de Gleykson “Sheik”, que teria atuado em duas partidas (12 e 15 de março de 2025) apesar de estar suspenso por acúmulo de cartões.
O caso foi julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Tocantins (TJD-TO) e pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que reconheceu a infração, determinando perda de pontos, multa de R$ 10 mil e rebaixamento do União Atlético Clube.
Mesmo após decisão final do STJD, a FTF teria se recusado a cumpri-la, o que pode configurar infração ao Estatuto da CBF.
Outro ponto de apuração é a suspensão do Batalhão Futebol Clube, mantida pela FTF mesmo após anulação pela instância superior do futebol nacional.
Medidas e requisições
A Promotoria determinou uma série de ações para esclarecer os fatos:
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Requisição à FTF de documentos como estatuto, atas de assembleias, folhas salariais e súmulas de jogos;
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Solicitação de cópias ao TJD-TO e ao STJD sobre os processos de infração;
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Ofício à CBF para avaliar se as condutas da FTF seguem as regras de governança e transparência do futebol nacional;
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Notificação ao Batalhão Futebol Clube, com prazo de dez dias para apresentar informações adicionais.
O MPTO afirma que, caso sejam confirmados indícios de manipulação de resultados ou crimes correlatos, o caso será encaminhado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPTO).
O que diz o Ministério Público
Em documento, o promotor Paulo Alexandre Rodrigues de Siqueira enfatiza que a atuação visa garantir “a probidade, a transparência e a conformidade das entidades esportivas com o ordenamento jurídico nacional”.
Até o momento, a Federação Tocantinense de Futebol (FTF), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o União Atlético Clube e o Batalhão Futebol Clube não se manifestaram.