Nova ação no STF: Wanderlei Barbosa tenta recuperar protagonismo político no Tocantins

Nova ação no STF: Wanderlei Barbosa tenta recuperar protagonismo político no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 14 de outubro de 2025 21

O ex-governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) protocolou um agravo regimental no Supremo Tribunal Federal (STF) numa nova tentativa de reverter a decisão que negou habeas corpus e restabelecer seu mandato. A medida ocorre em meio ao afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Fames-19, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia.

O movimento tem duplo efeito: jurídico e político. Enquanto aliados interpretam como tentativa de reabilitação, adversários enxergam uma investida para reacender sua influência e testar o peso de seu capital político no estado.

Contexto político e judicial

Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo em 3 de setembro de 2025, após decisão do ministro Mauro Campbell Marques, posteriormente confirmada por unanimidade pela Corte Especial do STJ. Segundo informações divulgadas pelo STJ, o afastamento foi estabelecido por 180 dias e incluiu restrições como o impedimento de acesso a repartições públicas e contato com servidores estaduais.

A decisão decorre das apurações da Operação Fames-19, deflagrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, que identificou indícios de fraudes em licitações e pagamentos irregulares estimados entre R$ 70 milhões e R$ 97 milhões. Os contratos envolviam a aquisição de cestas básicas e carne de frango entre 2020 e 2021.

A defesa do ex-governador já havia apresentado dois pedidos de habeas corpus ao Supremo, ambos negados pelo ministro Luís Roberto Barroso. O novo recurso, apresentado na última semana, questiona justamente a negativa anterior e tenta levar o tema à apreciação da 2ª Turma do STF.

Perfil político e capital eleitoral

Natural de Porto Nacional, Wanderlei Barbosa iniciou a carreira como vereador e deputado estadual antes de se tornar vice-governador e, posteriormente, assumir o governo após o afastamento de Mauro Carlesse. Foi eleito governador em 2022, ainda pelo Republicanos, com 58,20% dos votos válidos (449.299 votos), segundo dados oficiais do TSE.

Durante seu mandato, o Republicanos consolidou forte presença no estado, tornando-se a legenda com maior influência municipal: cerca de 40% das prefeituras tocantinenses estavam sob sua órbita, conforme levantamento do próprio partido (Republicanos 10).

Mesmo após o afastamento, Barbosa mantém apoio expressivo. Uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, realizada entre 9 e 13 de agosto de 2025, apontou que 79,7% dos tocantinenses aprovavam sua gestão, contra 15,9% de desaprovação.

Além do apoio popular, o ex-governador mantém influência através do filho, o deputado estadual Léo Barbosa, figura de destaque na Assembleia Legislativa e articulador político no interior.

Análise e cenários

Especialistas avaliam que a estratégia de Wanderlei tem chances limitadas de prosperar juridicamente. O jurista e analista político Luiz Armando Costa considera que o recurso ao STF é mais simbólico do que efetivo, uma tentativa de manter presença política mesmo fora do cargo. Segundo artigo publicado em seu site (LuizArmandoCosta.com.br), “a ausência de um plano B tem fragilizado o grupo, que ainda não definiu substituto com densidade eleitoral equivalente”.

Caso o STF rejeite o agravo, o governo de Laurez Moreira tende a se consolidar como eixo de estabilidade, enquanto as lideranças de Vicentinho Júnior e Dorinha Rezende ganham espaço no cenário estadual.

Nos bastidores, entretanto, a eventual volta de Wanderlei é vista como divisora de águas. Lideranças do Republicanos apostam que sua presença pode reorganizar alianças regionais e tensionar a base governista, principalmente no norte e centro do estado.

A nova ação no STF representa mais que uma disputa judicial: é uma tentativa de reposicionamento político num cenário de transição no Tocantins. Se obtiver êxito, Wanderlei Barbosa voltará a ocupar papel central nas articulações de 2026. Se falhar, o episódio reforçará o realinhamento de forças sob Laurez Moreira e consolidará uma nova geração de líderes regionais.

Notícias relacionadas