Tocantins treme: abalo sísmico de 4,2 graus assusta moradores do sudeste do Estado
Um tremor de terra de 4,2 graus na escala Richter foi registrado na madrugada desta terça-feira (14) no sudeste do Tocantins, segundo o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (Obsis/UnB). O fenômeno ocorreu por volta das 2h37, a cerca de 12 km de profundidade, e foi sentido em cidades como Taguatinga, Dianópolis, Aurora do Tocantins e Lavandeira, provocando susto em moradores.
Relatos nas redes sociais indicam que muitos moradores acordaram com barulhos metálicos, vibrações nas janelas e estalos nas paredes. Em alguns pontos, objetos se moveram sobre prateleiras, e moradores relataram sensação de vertigem. Apesar do impacto, o tremor é classificado como de intensidade moderada, sem registros de danos estruturais ou feridos.
De acordo com o Centro de Sismologia da USP, o evento foi detectado por diversas estações da rede sismográfica nacional, confirmando o epicentro entre Taguatinga e Aurora do Tocantins. A Defesa Civil estadual informou que não houve acionamentos de emergência, mas que equipes monitoram possíveis ocorrências.
O Corpo de Bombeiros do Tocantins informou ao Diário Tocantinense que não há registros de desabamentos nem de atendimentos relacionados ao evento, mas reforçou que tremores dessa magnitude podem causar pânico em áreas rurais e pequenas rachaduras em construções antigas.
O geólogo Renato Poltronieri, colaborador do Diário Tocantinense, explica que abalos sísmicos como o registrado no sudeste tocantinense são geralmente provocados por ajustes naturais de tensão no embasamento cristalino do Cerrado, e não por falhas tectônicas ativas.
“O solo da região é composto por rochas muito antigas e rígidas. Quando há acúmulo de energia nas camadas mais profundas, ela se dissipa de forma abrupta, gerando vibrações perceptíveis. É um processo natural e geralmente sem riscos maiores”, afirma Poltronieri.
O pesquisador do Obsis/UnB, Felipe Gomes, acrescenta que o Tocantins já registrou eventos semelhantes em 2010, 2015 e 2021, todos entre 3,5 e 4,4 graus, reforçando que o estado está em uma área considerada sísmica estável, mas que pode apresentar microtremores ocasionais.
“São eventos que assustam pela surpresa, mas não configuram risco geológico relevante. Não há indícios de atividade sísmica crescente na região”, explicou Gomes.
O Governo do Tocantins divulgou nota informando que mantém contato com as prefeituras atingidas e que o monitoramento sísmico será intensificado em parceria com universidades e centros de pesquisa. A Defesa Civilorienta que, em caso de novos tremores, moradores mantenham a calma, se afastem de vidraças e não utilizem elevadores.
Nos municípios afetados, a madrugada foi de apreensão. Em Dianópolis, famílias deixaram as casas por precaução, e em Taguatinga, moradores relataram o som de “um trovão vindo do chão”. Pela manhã, a rotina começou a se normalizar, com o retorno das aulas e do comércio.
A tranquilidade, no entanto, ainda divide espaço com a curiosidade. Enquanto os órgãos técnicos reforçam que não há risco de novos tremores, muitos moradores seguem atentos, compartilhando vídeos e relatos do fenômeno que movimentou o interior do estado.