40 dias de governo Laurez: avanços, ajustes e o desafio da gestão participativa

40 dias de governo Laurez: avanços, ajustes e o desafio da gestão participativa
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Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de outubro de 2025 4

Com perfil técnico e foco em planejamento, o governador Laurez Moreira chega aos 100 dias de gestão com entregas pontuais em educação e infraestrutura, mas ainda enfrenta o desafio de consolidar uma administração participativa e financeiramente equilibrada. A estratégia tem sido combinar estabilidade política com racionalização de gastos públicos.

Educação e valorização docente

O envio do novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) à Assembleia Legislativa marca o principal movimento do governo no campo educacional. O texto prevê a reestruturação da carreira do magistério e deve impactar a folha de 2026.
Em paralelo, a Secretaria da Educação (Seduc) informou a aplicação de R$ 100 milhões em 77 obras de reforma e ampliação de escolas, distribuídas em todas as regiões do estado. O levantamento oficial ainda precisa ser auditado no Portal da Transparência, onde constam as ordens de serviço e fontes de financiamento.

Infraestrutura e turismo sustentável

No eixo de obras públicas, o governo priorizou o destravamento de contratos de duplicação de rodovias e pontes regionais.
Entre os projetos em análise está a criação de um Centro de Etnoturismo na Ilha do Bananal, planejado em parceria com o Ministério do Turismo. O modelo prevê consulta às comunidades indígenas e licenciamento ambiental antes da fase executiva.
Apesar do anúncio, ainda não há cronograma de início das obras nem previsão orçamentária detalhada.

Administração e controle de gastos

O Palácio Araguaia executa uma reestruturação administrativa com substituição de dirigentes em órgãos estratégicos, como Casa Civil, Controladoria-Geral do Estado, Ameto, Setas e Sepea.
A política de contenção de despesas inclui revisão de contratos e cortes de diárias e aluguéis.
Na arrecadação, a prorrogação do IPVA 2025 até 15 de dezembro aliviou o contribuinte, mas adiou receitas para o caixa estadual, exigindo compensação orçamentária até o fim do exercício.

Saúde e gestão digital: os pontos ainda abertos

Os indicadores de saúde pública permanecem o principal ponto de indefinição. Não há dados consolidados sobre filas de regulação, tempo médio de atendimento nas portas de urgência nem variação de leitos ativos desde setembro.
No campo da modernização, o Tocantins aderiu ao Programa Nacional de Gestão e Inovação (PNGI), que prevê digitalização gradual de serviços públicos. Contudo, o estado ainda não divulgou cronograma de metas nem indicadores de satisfação do cidadão.

Leitura política e comparativo regional

Os 100 dias de Laurez Moreira evidenciam uma gestão de transição, marcada por reorganização administrativa e ênfase na previsibilidade fiscal.
Ao priorizar o PCCR e a retomada de obras paralisadas, o governo tenta restabelecer credibilidade junto ao funcionalismo e aos prefeitos.
No comparativo regional, o Tocantins segue movimento semelhante ao de Goiás e Mato Grosso, que também apostam em digitalização e ajustes de carreira docente para equilibrar contas públicas.

Desafios imediatos

A consolidação de resultados na saúde e a execução efetiva das obras anunciadas serão determinantes para o segundo trimestre de governo.
Sem indicadores claros e metas publicadas, a narrativa de reconstrução pode perder força política. O êxito do PCCR e a capacidade de equilibrar investimentos com responsabilidade fiscal definirão o tom do primeiro ano de Laurez Moreira no comando do Tocantins.

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