“Do Outro Lado da Janela do meu Quarto”: Ricardo Fernandes transforma silêncio em poesia, fé e determinação
Entre o rumor das cidades e o recolhimento das madrugadas, o jornalista e escritor Ricardo Fernandes, diretor do Diário Tocantinense, prepara o lançamento de sua nova obra: “Do Outro Lado da Janela do Quarto”.
O livro, atualmente em fase de finalização editorial, reúne reflexões espirituais, observações cotidianas e poemas em prosa, compondo uma narrativa que entrelaça silêncio, fé e autoconhecimento.
“A escrita é um gesto de escuta. É no silêncio que a alma encontra o seu próprio nome”, antecipa o autor, ao comentar o processo de criação.
Uma escrita entre o visível e o invisível
Dividido em capítulos curtos e densos, o livro transita entre o diário pessoal e a contemplação filosófica. Ricardo Fernandes transforma a janela — símbolo recorrente na literatura espiritual — em ponto de partida para observar o mundo exterior e o universo interior.
O texto mistura prosa poética, fragmentos de oração e confissões do autor, que encontra no cotidiano simples o material simbólico de sua escrita. A leitura revela um narrador que se comunica com a fé, mas sem dogmas, e com a poesia, mas sem ornamentos.
“Escrever é uma forma de oração sem altar”, diz um dos trechos centrais do livro.
Entre fé, silêncio e poesia
Em “Do Outro Lado da Janela do meu Quarto”, o silêncio se torna protagonista.
Longe de representar ausência, ele aparece como lugar de força e de revelação — onde o autor encontra a própria voz e a transforma em palavra.
A fé, tema recorrente na obra de Ricardo Fernandes, é tratada como experiência humana, não como doutrina.
Cada página é atravessada pela pergunta que move a literatura espiritual: como permanecer inteiro em um mundo fragmentado?
O resultado é uma escrita que se aproxima do leitor não pela resposta, mas pelo convite à pausa — um gesto raro em tempos de ruído e velocidade.
O processo de criação
Segundo o autor, o livro nasceu durante um período de reclusão e profunda observação da própria rotina.
As ideias surgiram de anotações em cadernos, bilhetes e notas de celular que, aos poucos, se transformaram em capítulos independentes, ligados por um mesmo eixo: a busca por sentido nas pequenas coisas.
O processo de escrita durou mais de dois anos, em paralelo à rotina de trabalho como jornalista e gestor editorial.
Fernandes descreve o livro como uma “colheita de silêncios” — expressão que define tanto o estilo quanto a intenção da obra.
A voz de um autor em maturação
Com trajetória consolidada no jornalismo e na comunicação pública, Ricardo Fernandes vem se destacando também na cena literária tocantinense.
O novo livro representa uma continuidade de sua produção anterior, marcada por temas como fé, humanidade e resiliência.
Ao mesmo tempo, revela uma escrita mais íntima, voltada para o diálogo entre a solidão e a esperança.
Em tempos de ruídos digitais e saturação informativa, “Do Outro Lado da Janela do meu Quarto” propõe uma experiência contrária: ler para silenciar, observar e sentir.
“A poesia, para mim, é o exercício da escuta. É aprender a ouvir o mundo dentro de nós”, resume o autor.