Trump apresenta acordo de paz sem Netanyahu e surpreende a comunidade internacional
O presidente norte-americano Donald Trump apresentou, neste domingo (12), um acordo de paz entre Israel e o Hamas durante a Cúpula de Sharm el-Sheikh, no Egito. O pacto foi assinado sem a presença do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o que surpreendeu diplomatas e líderes globais.
O plano de 20 pontos, chamado oficialmente de Gaza Peace Accord, prevê cessar-fogo imediato, libertação de reféns israelenses e retirada gradual das tropas de Israel da Faixa de Gaza, sob monitoramento internacional. O acordo foi mediado com o apoio de Egito, Catar, Turquia e Jordânia, e é o primeiro a ser firmado sem a chancela direta do governo israelense.
(CNN Brasil)
Os principais pontos do novo pacto
O documento, que Trump classificou como “um plano de paz realista e definitivo”, inclui cinco eixos centrais:
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Cessação imediata das hostilidades em Gaza, com supervisão de forças internacionais e auditoria conjunta da ONU.
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Libertação dos 48 reféns israelenses vivos em troca da soltura de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
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Criação de um governo tecnocrático interino na Faixa de Gaza, composto por representantes civis locais e supervisionado por um conselho internacional.
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Reabertura dos corredores humanitários e reconstrução de infraestrutura civil, financiada por um fundo conjunto entre EUA, Arábia Saudita e União Europeia.
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Direito de retaliação em caso de violação do acordo, cláusula que autoriza Israel a responder militarmente caso o Hamas descumpra os termos.
(Euronews)
Netanyahu fora das negociações
A ausência de Netanyahu na assinatura foi interpretada por analistas como ruptura simbólica da diplomacia tradicional entre Washington e Tel Aviv. Fontes do Departamento de Estado americano afirmam que Trump decidiu negociar diretamente com os mediadores regionais após semanas de impasse com o gabinete israelense.
Em comunicado, a Casa Branca afirmou que o plano “não exclui Israel, mas remove barreiras políticas que impediam o avanço da paz”. Já Netanyahu declarou à imprensa israelense que “nenhum acordo sobre o futuro de Israel pode ser decidido sem o governo israelense”.
(Politico)
Reação global ao gesto diplomático
Governos árabes e potências europeias elogiaram a iniciativa, enquanto Israel e parte do Congresso norte-americano demonstraram cautela.
A União Europeia classificou o pacto como “um passo histórico com potencial de estabilização regional”, e o presidente egípcio Abdel Fattah el-Sissi chamou a assinatura de “ato de coragem diplomática”.
(Le Monde)
O Hamas, por sua vez, aceitou o cessar-fogo, mas rejeitou as cláusulas que o excluem da administração política de Gaza. O grupo afirmou em comunicado que “nenhum governo pode existir sem a vontade do povo palestino”, enquanto diplomatas do Egito e do Catar tentam suavizar o impasse.
(Time Magazine)
Análise: uma jogada de alto risco
O acordo marca a tentativa mais ousada de Trump de remodelar a diplomacia no Oriente Médio desde sua volta à Casa Branca. Ao negociar sem Netanyahu, o presidente aposta em coalizões regionais pragmáticas e em sua imagem de “mediador antissistema”, estratégia que também busca reposicionar os Estados Unidos como árbitro supremo em tempos de descrédito global da ONU.
Para especialistas, a movimentação pode consolidar um novo eixo árabe-americano, mas também fragiliza a legitimidade israelense dentro da aliança histórica com Washington. O analista Thomas Friedman, do The New York Times, destacou que “Trump criou um fato consumado: uma paz sem consentimento israelense, mas com apoio árabe. É uma inversão geopolítica que lembra os Acordos de Camp David, mas sem a assinatura de Jerusalém.”
Diplomatas brasileiros ouvidos pelo Diário Tocantinense consideram que o impacto imediato será positivo para a redução da violência, mas alertam para a fragilidade do arranjo técnico de governo em Gaza, que pode entrar em colapso sem sustentação econômica e legitimidade popular.
O novo mapa da paz
O Gaza Peace Accord pode inaugurar uma nova configuração diplomática no Oriente Médio:
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Israel mantém o controle das fronteiras externas;
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Gaza passa a ter autonomia administrativa supervisionada;
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Hamas perde formalmente o poder político;
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Washington retoma protagonismo nas negociações multilaterais.
Analistas avaliam que o sucesso ou fracasso desse acordo determinará se o Oriente Médio caminha para um novo ciclo de estabilização ou para mais uma rodada de violência.