Feira mais cara: alimentos básicos disparam e assustam o consumidor tocantinense
O custo da feira aumentou e o consumidor tocantinense sente no bolso. Segundo levantamento do Diário Tocantinense com base em dados do Dieese e da Conab, produtos essenciais como pepino, cebola, arroz, feijão e quiaboregistraram variação expressiva nas últimas semanas. A combinação de entressafra, custo logístico e clima adverso explica por que os preços continuam subindo mesmo com a queda nacional da inflação.
Em Palmas, o preço do pepino saltou até 30 % em um mês, enquanto a cebola subiu cerca de 20 %, de acordo com feirantes ouvidos pela reportagem. O Dieese observa que, embora a cesta básica tenha recuado em 22 capitais, as cidades do Norte ainda sofrem pressões regionais ligadas ao transporte e à oferta limitada de hortaliças.
O retrato regional
Na região Norte, os custos de frete e a distância dos centros produtores aumentam o preço final. A Conab aponta que Belém e Manaus tiveram altas acima de 3 % em setembro, tendência que se estende ao Tocantins. Em Gurupi e Araguaína, comerciantes relatam reposições mais caras e dificuldade de manter estoque diante do aumento nos preços de hortifrútis.
O economista Carlos Henrique da Silva, explica que a transição entre safras é determinante: “Quando o produtor pequeno interrompe o plantio, o preço sobe imediatamente. E o transporte encarece tudo o que vem do Sul e Sudeste”. Ele reforça que o frete rodoviário tem impacto maior no Norte, onde a dependência de longas rotas e a menor escala de produção reduzem a competitividade.
Causas estruturais da alta
Entressafra prolongada – a menor oferta de pepino e quiabo decorre do intervalo natural de cultivo, agravado por estiagens.
Transporte e logística – o diesel e os pedágios elevaram custos, repassados ao consumidor.
Mudanças climáticas – temperaturas extremas e irregularidade das chuvas afetaram a produtividade de cebola e feijão.
Política agrícola – os bônus concedidos pela Conab a produtores do Sul podem deslocar oferta e pressionar preços no Norte.
Demanda reprimida – famílias de baixa renda priorizam itens básicos, concentrando consumo e sustentando a alta.
Comparativo e impacto social
O Diário Tocantinense comparou a variação de preços em Palmas com as médias de Belém, Rio Branco e Macapá. A capital tocantinense ficou entre as três maiores altas regionais para hortaliças frescas. Com a renda média estagnada e o transporte caro, a inflação alimentar atinge diretamente o poder de compra de quem depende de produtos in natura.
Segundo o Dieese, a alimentação representa mais de 22 % do orçamento das famílias com até dois salários mínimos, índice que sobe para 28 % entre trabalhadores informais. Quando arroz, feijão e hortaliças encarecem juntos, o impacto é imediato na segurança alimentar. A Conab reforça que o equilíbrio depende de políticas públicas de armazenagem e incentivo à produção local.