Cometa mais antigo já observado reacende debate sobre a origem do Sistema Solar
O cometa 3I/ATLAS, corpo celeste com idade estimada em mais de 4,5 bilhões de anos, voltou a ser observado da Terra e se tornou um dos fenômenos astronômicos mais importantes do ano. O objeto, detectado novamente por telescópios em julho, é o terceiro corpo interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, e pode carregar fragmentos de matéria mais antigos do que o próprio Sol.
De acordo com a NASA, o 3I/ATLAS não nasceu aqui: sua órbita hiperbólica indica que ele vem de outra região da galáxia e está apenas “de passagem” pelo nosso sistema estelar. Ele foi identificado pelo telescópio ATLAS, no Chile, e ganhou o apelido de “mensageiro antigo” por conter compostos químicos preservados desde antes da formação dos planetas.
📹 Vídeo oficial — Everything We Know About 3I/ATLAS:
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Uma viagem de bilhões de anos
Segundo estudos publicados pela Planetary Society, a composição do 3I/ATLAS — rica em gelo de amônia, metano e poeira de silicato — pode oferecer pistas sobre as primeiras reações químicas que deram origem a sistemas planetários. “Trata-se de um visitante que carrega a assinatura do início do universo”, explica o físico brasileiro Rogério Leite, membro da BRAMON, rede que monitora meteoros e objetos espaciais no Brasil.
O cometa está atualmente a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol, e deve atingir seu ponto mais próximo em 29 de outubro, a uma distância segura da Terra — aproximadamente 270 milhões de quilômetros. Devido à sua velocidade, cerca de 58 km por segundo, ele atravessará o sistema solar interno até o início de 2026.
Imagens captadas pelo telescópio Gemini North, no Havaí, mostram uma intensa liberação de poeira e gás, com uma cauda já perceptível mesmo a grandes distâncias. A expectativa é que o brilho aumente conforme se aproxima do Sol, embora não haja chance de ser visível a olho nu.
O que diferencia o 3I/ATLAS de outros cometas
A diferença está na origem. Enquanto cometas convencionais orbitam o Sol em trajetórias elípticas, o 3I/ATLAS percorre uma rota aberta, hiperbólica — sinal de que veio de fora do Sistema Solar. O mesmo padrão foi identificado em ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019), os dois primeiros visitantes interestelares já detectados.
Esses corpos trazem composições químicas distintas das encontradas nos cometas locais e podem revelar materiais primordiais de outros sistemas planetários. “São cápsulas do tempo”, afirma Leite. “Cada molécula que sobreviveu bilhões de anos pode explicar como se formam mundos e atmosferas em diferentes partes da galáxia.”
O Brasil e o monitoramento científico
O fenômeno está sendo acompanhado também por astrônomos amadores e pesquisadores da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON), que desenvolve softwares de rastreamento óptico. No Brasil, o corpo pode ser detectado apenas com telescópios de alta potência ou câmeras astronômicas, preferencialmente em regiões de baixa luminosidade.
O Diário Tocantinense entrou em contato com observatórios nacionais que confirmaram a possibilidade de observação indireta em algumas madrugadas do fim de outubro, especialmente no eixo Tocantins–Goiás–Distrito Federal, onde a atmosfera costuma oferecer janelas mais limpas.
Um mensageiro das origens
Pesquisadores da NASA estimam que o cometa pode conter grãos de poeira cósmica mais antigos que o Sol, formados durante o colapso gravitacional da nebulosa original. A análise espectral da cauda deverá revelar dados inéditos sobre moléculas pré-solares, ajudando a compreender como a vida pode surgir em ambientes interplanetários.
Para a comunidade científica, o 3I/ATLAS representa uma rara oportunidade de estudar a história cósmica antes mesmo da formação do Sistema Solar. E, para os observadores da Terra, é um lembrete visual de que somos parte de um universo muito mais antigo do que imaginamos.