Região da 44 em Goiânia aquece economia e atrai lojistas do Tocantins

Região da 44 em Goiânia aquece economia e atrai lojistas do Tocantins
Regiao da 44 em Goiânia é polo de compra para tocantinenses
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 17 de outubro de 2025 10

A movimentação nas ruas da Região da 44, em Goiânia, anuncia que o Natal começou mais cedo para os lojistas tocantinenses. Vitrines decoradas, corredores cheios e sacolas abarrotadas compõem o cenário do principal destino de compras de atacado do Centro-Oeste, que já registra fluxo intenso de compradores vindos de Palmas, Araguaína, Gurupi e Paraíso.

O polo, que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, é o termômetro da economia popular e da moda nacional. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico do Tocantins (IDET), um em cada quatro lojistas de moda do Estado compra regularmente na 44 — relação que se intensificou com a recuperação econômica e a ampliação das rotas de transporte entre Goiás e Tocantins.

A corrida das compras

“Este ano eu comecei as compras de Natal em setembro”, conta Fernanda Leão, empresária de Palmas, que mantém três lojas de moda feminina. “Os preços sobem muito perto do fim do ano, e os tamanhos acabam. A gente precisa se antecipar para não perder venda.”

De Gurupi, a revendedora Marta Dias compartilha a mesma estratégia: “A 44 é o nosso estoque. Se aqui está cheio, o comércio lá também vai bem. Este mês já vim duas vezes e estou levando peças de alto padrão, porque o público está comprando melhor e quer novidade.”

Nos estacionamentos e corredores, ônibus e vans chegam de madrugada. As excursões partem semanalmente de várias cidades tocantinenses. “É um investimento, mas compensa. Aqui a gente compra variedade e tendência de moda que não chega nas cidades menores”, diz Tânia Soares, que tem uma loja em Paraíso do Tocantins.

Um polo em expansão

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), o setor movimentou R$ 243 bilhões em 2024, enquanto o atacado distribuidor atingiu R$ 443 bilhões, segundo a Abras e NielsenIQ. Nesse contexto, a Região da 44 responde por cerca de 3,3% do atacado nacional, consolidando Goiânia como o principal centro de abastecimento de moda popular e de alto giro do país.

O crescimento é visível também nos grandes empreendimentos que compõem o polo, como o Mega Moda, o Araguaia Shopping e o Goiânia Fashion, que juntos reúnem mais de 2 mil lojistas.
No Grupo Mega Moda, as recentes ampliações de marcas como Models Jeans, Nushén Fitness, Luce Brand e Outlet Alfa simbolizam uma nova fase de profissionalização e reposicionamento do atacado.

“Essas expansões mostram a maturidade da Região da 44. O lojista hoje busca estrutura, visibilidade e novas formas de relacionamento com o comprador atacadista”, explica Paula Sepulveda, gerente de marketing do grupo.
Segundo ela, o número de excursões vindas do Tocantins cresceu 18% em 2025, e a antecipação das compras de fim de ano vem superando as expectativas de venda do segundo semestre.

A rota Goiânia–Tocantins

O economista Lucas Moreira,, explica que a 44 se tornou um eixo logístico de abastecimento para o pequeno e médio varejo tocantinense.“O impacto é direto: o dinheiro que circula em Goiânia retorna em forma de mercadoria, tributo e emprego no Tocantins. Cada revendedor que sobe para a 44 movimenta toda uma cadeia — do transporte ao comércio local”, diz.

A consultora de varejo Mariana Pires destaca que o perfil do comprador tocantinense mudou.“Antes eram sacoleiros informais. Agora, são empresários estruturados, com marca própria, loja física e presença digital. Eles vêm com planilhas, fecham pedidos programados e mantêm vínculo com os fornecedores goianos. De acordo com a consultora, a moda produzida em Goiânia já domina vitrines tocantinenses, refletindo o gosto e o comportamento do consumidor local. “É uma relação de interdependência econômica e cultural que movimenta as duas pontas.”

Expectativa otimista

As projeções para o fim de 2025 apontam alta entre 12% e 15% nas vendas de Natal, impulsionadas pela retomada do turismo de compras, aumento do ticket médio e novas estratégias de fidelização.

Com hotéis lotados, vitrines renovadas e corredores movimentados, a Região da 44 reafirma sua vocação como coração comercial do Cerrado brasileiro — e o principal ponto de encontro entre produtores, marcas e lojistas do Tocantins, que seguem antecipando suas compras e fortalecendo o comércio entre os dois estados.

Notícias relacionadas