Silveira sobre falta de energia na madrugada: restabelecimento rápido demonstra robustez do sistema

Silveira sobre falta de energia na madrugada: restabelecimento rápido demonstra robustez do sistema
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 17 de outubro de 2025 8

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta terça-feira (14) que a falta de energia registrada na madrugada em 13 estados e no Distrito Federal foi um caso pontual e que a rápida recomposição do sistema demonstra a “robustez da infraestrutura elétrica nacional”. O episódio, que durou cerca de 90 minutos, mobilizou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia em ação conjunta para estabilizar o fornecimento.

De acordo com o ONS, a ocorrência começou com um incêndio em um reator na subestação de Bateias, no Paraná. O fogo causou a desconexão automática de linhas de transmissão que abastecem várias regiões. A energia foi restabelecida de forma segura em até 1h30min nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, e em 2h30min no Sul.

“Não é apagão, é resposta rápida”, diz Silveira

Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, transmitido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Silveira explicou que o incidente não se tratou de um apagão clássico. “Não é falta de energia. Foi um problema na infraestrutura que transmite a energia”, afirmou. Segundo ele, o país vive outro momento energético, com sobra de oferta e investimentos maciços em transmissão.

“Quando se fala em apagão, as pessoas lembram dos episódios de 2001 e 2021, que ocorreram por falta de energia e de planejamento. Hoje não: temos muita energia. Inclusive, reforçamos o sistema com R$ 70 bilhões em novas linhas de transmissão já contratadas”, destacou.

Silveira enfatizou que a atuação do governo foi imediata: “Acionamos o Grupo Especial de Resposta Rápida, que envolve o ONS, a Aneel e o Ministério. Em uma hora e meia restabelecemos quase 100% das cargas. É a demonstração da robustez do sistema elétrico nacional”, disse o ministro.

Relatório de apuração e prevenção

Logo após o evento, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) abriu um Relatório de Apuração de Perturbação, documento técnico semelhante aos inquéritos da aviação civil, que detalha causas, efeitos e medidas preventivas. “Esse procedimento é fundamental para identificar vulnerabilidades e aprimorar a operação do sistema”, explicou Silveira.

O relatório deverá reunir informações de todos os agentes do setor — transmissoras, distribuidoras e geradoras — e será apresentado ainda neste mês ao MME e ao ONS. De acordo com técnicos do ministério, o objetivo é aperfeiçoar protocolos de contenção e redundância nas subestações estratégicas.

Segundo dados públicos do Ministério de Minas e Energia, o Brasil conta atualmente com 180 mil quilômetros de linhas de transmissão em operação, número que deve ultrapassar 200 mil até 2026, resultado dos últimos leilões federais. Essas obras ampliam a interligação entre as regiões, tornando o sistema mais resiliente a falhas isoladas.

Panorama técnico e impacto

O Diário Tocantinense apurou que a interrupção atingiu grandes centros urbanos nas regiões Norte e Nordeste, mas não comprometeu o abastecimento essencial em hospitais e aeroportos. No Tocantins, o sistema operado pela Energisa registrou apenas instabilidade momentânea, com restabelecimento total em cerca de 20 minutos.

O engenheiro elétrico Marcos Tavares, especialista em sistemas de potência, avalia que o incidente confirma a capacidade de resposta do setor. “Quando o sistema volta em até duas horas após uma perturbação dessa magnitude, isso mostra que há redundância técnica e monitoramento eficiente”, explicou.

Silveira acrescentou que o modelo brasileiro é um dos mais interligados do mundo, permitindo compensar falhas regionais. “Temos um sistema robusto, moderno e preparado. Esse episódio comprova a eficiência das equipes de operação e a integração das instituições”, concluiu o ministro.

Reunião de avaliação e próximos passos

Ainda nesta semana, o MME, a Aneel e o ONS devem se reunir para revisar protocolos de prevenção e propor melhorias no controle térmico de reatores e transformadores. Segundo o ministério, o foco é evitar recorrência de incêndios em subestações e aprimorar a comunicação entre operadores regionais.

O Diário Tocantinense acompanhará a divulgação do relatório técnico e os desdobramentos do caso, incluindo eventuais recomendações da Aneel sobre fiscalização das transmissoras.

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