The Flash: como Grant Gustin tornou-se o rosto do herói na TV
Quando The Flash estreou em outubro de 2014, parecia apenas mais um derivado de Arrow. Dez anos depois, a série se transformou em símbolo de uma era da televisão e no maior fenômeno do universo Arrowverse. A produção revelou o ator Grant Gustin, que deixou de ser o coadjuvante de Glee para se tornar o rosto definitivo do herói na cultura pop contemporânea.
A série, criada por Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns, somou nove temporadas e 184 episódios ao longo de quase uma década. O piloto registrou 4,83 milhões de espectadores e chegou a 6,8 milhões no critério Live + 7, recorde histórico da CW em 2014 (Wikipedia). Esse impacto inicial garantiu o fôlego para um dos ciclos mais duradouros de uma série de super-herói na TV aberta americana.
Grant Gustin, nascido em Norfolk (Virgínia), formou-se em teatro musical na Governor’s School for the Arts e participou da turnê de West Side Story antes de migrar para a TV (Apple TV profile). O histórico teatral explica a entrega emocional e o tom melodramático que marcaram o seu Barry Allen — um cientista vulnerável e otimista, oposto ao arquétipo sombrio popularizado por outras franquias.
A audiência da série acompanhou o ciclo típico das long-runners: queda linear e longevidade digital. Dados do TV Series Finale indicam média de 1,26 milhão de espectadores na 6ª temporada, caindo para 604 mil na 9ª, com demo 18-49 de 0,13. Ainda assim, o título permaneceu entre os 20 programas mais procurados em streaming nos EUA e figura no Top 10 de demanda da Parrot Analytics.
No Brasil, a série continua disponível na Netflix Brasil, mantendo alto índice de redescoberta. De acordo com o FlixPatrol, The Flash figurou em 8º lugar no ranking nacional de 22 de setembro de 2025, e voltou a aparecer no Top 10 em outubro. O Painel Nielsen Brasil estima média semanal de 1,3 milhão de views únicos na plataforma, confirmando o potencial “long tail” do catálogo legado.
A comparação com outras séries do gênero ajuda a dimensionar o fenômeno. Arrow, com Stephen Amell, estreou com 4,1 milhões de telespectadores; Supergirl, com Melissa Benoist, teve pico de 12,9 milhões na CBS; e Daredevil, estrelada por Charlie Cox, atingiu cerca de 10 % dos assinantes da Netflix nos EUA em 2015. The Flash nunca superou essas cifras, mas sobreviveu mais tempo: nove temporadas contra média de três a cinco de suas concorrentes.
O Arrowverse se consolidou como modelo de universo televisivo compartilhado. Os crossovers entre Arrow, Supergirl, Legends of Tomorrow e The Flash alimentaram o engajamento nas redes e aumentaram o tempo de permanência dos espectadores em cada título. Segundo a Entertainment Weekly, a CW chegou a bater recordes de audiência multiplataforma durante o evento Crisis on Infinite Earths (2019), quando Gustin contracenou com Ezra Miller, o Flash do cinema.
No Brasil, o fandom se organiza em comunidades digitais no X/Twitter e Reddit, mantendo fluxo constante de conteúdo e memes baseados em Barry Allen. A leveza da série, com humor e temas familiares, segue atraente em comparação ao tom soturno de outras adaptações da DC. O PluggedIn destaca que “The Flash preserva o espírito luminoso dos quadrinhos de Silver Age, tornando-se raro exemplo de herói de TV centrado na empatia e não na violência*”.
O perfil crítico da série também é positivo. No IMDb, The Flash mantém média 7,5/10 entre quase 400 mil avaliações. O Rotten Tomatoes registra 92 % de aprovação na 1ª temporada e nota média de 7,7/10 nas demais. Segundo o RatingGraph, as melhores fases foram as três primeiras (S1 8,6; S2 8,5; S3 8,1), com queda até S7 6,6 — trajetória típica de desgaste industrial mais que narrativo.
A evolução de Barry Allen segue três atos: o herói cientista nascido do luto; o líder de equipe numa rede de afeto (Cisco, Caitlin, Iris); e a figura mítica do multiverso, que liga toda a franquia DC na TV. O episódio “Welcome to Earth-2” (2016) teve 3,96 milhões de espectadores e 93 % de aprovação crítica, síntese do auge criativo da série.
Nos bastidores, a transformação da CW em emissora focada em streaming e a reorganização da Warner sob o selo DC Studios fecharam o ciclo da televisão de heróis semanais. A própria CW anunciou mudança de modelo em 2023, com menos séries de herói e mais coproduções internacionais (EW).
Em 2025, o catálogo de The Flash mantém-se entre os 20 títulos de super-heróis mais assistidos no Brasil, segundo dados semanais da Nielsen Brasil. O Painel FlixPatrol aponta oscilações entre as posições 6 e 10 no Top TV Shows Netflix Brasil entre setembro e outubro de 2025. A média nacional estimada de visualizações únicas semanais é de 1,3 a 1,6 milhão de contas, com pico em semanas de feriado ou promoções da plataforma.
Reassistir a The Flash em 2025 não é apenas nostalgia. É observar um momento em que a TV de heróis ainda tinha fôlego para crescer antes da padronização do streaming. Grant Gustin é símbolo disso: um ator que atravessou toda a transformação da televisão americana, consolidando-se como o rosto mais duradouro do Flash em qualquer mídia.