The Flash: como Grant Gustin tornou-se o rosto do herói na TV

The Flash: como Grant Gustin tornou-se o rosto do herói na TV
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 18 de outubro de 2025 23

Quando The Flash estreou em outubro de 2014, parecia apenas mais um derivado de Arrow. Dez anos depois, a série se transformou em símbolo de uma era da televisão e no maior fenômeno do universo Arrowverse. A produção revelou o ator Grant Gustin, que deixou de ser o coadjuvante de Glee para se tornar o rosto definitivo do herói na cultura pop contemporânea.

A série, criada por Greg Berlanti, Andrew Kreisberg e Geoff Johns, somou nove temporadas e 184 episódios ao longo de quase uma década. O piloto registrou 4,83 milhões de espectadores e chegou a 6,8 milhões no critério Live + 7, recorde histórico da CW em 2014 (Wikipedia). Esse impacto inicial garantiu o fôlego para um dos ciclos mais duradouros de uma série de super-herói na TV aberta americana.

Grant Gustin, nascido em Norfolk (Virgínia), formou-se em teatro musical na Governor’s School for the Arts e participou da turnê de West Side Story antes de migrar para a TV (Apple TV profile). O histórico teatral explica a entrega emocional e o tom melodramático que marcaram o seu Barry Allen — um cientista vulnerável e otimista, oposto ao arquétipo sombrio popularizado por outras franquias.

A audiência da série acompanhou o ciclo típico das long-runners: queda linear e longevidade digital. Dados do TV Series Finale indicam média de 1,26 milhão de espectadores na 6ª temporada, caindo para 604 mil na 9ª, com demo 18-49 de 0,13. Ainda assim, o título permaneceu entre os 20 programas mais procurados em streaming nos EUA e figura no Top 10 de demanda da Parrot Analytics.

No Brasil, a série continua disponível na Netflix Brasil, mantendo alto índice de redescoberta. De acordo com o FlixPatrol, The Flash figurou em 8º lugar no ranking nacional de 22 de setembro de 2025, e voltou a aparecer no Top 10 em outubro. O Painel Nielsen Brasil estima média semanal de 1,3 milhão de views únicos na plataforma, confirmando o potencial “long tail” do catálogo legado.

A comparação com outras séries do gênero ajuda a dimensionar o fenômeno. Arrow, com Stephen Amell, estreou com 4,1 milhões de telespectadores; Supergirl, com Melissa Benoist, teve pico de 12,9 milhões na CBS; e Daredevil, estrelada por Charlie Cox, atingiu cerca de 10 % dos assinantes da Netflix nos EUA em 2015. The Flash nunca superou essas cifras, mas sobreviveu mais tempo: nove temporadas contra média de três a cinco de suas concorrentes.

O Arrowverse se consolidou como modelo de universo televisivo compartilhado. Os crossovers entre Arrow, Supergirl, Legends of Tomorrow e The Flash alimentaram o engajamento nas redes e aumentaram o tempo de permanência dos espectadores em cada título. Segundo a Entertainment Weekly, a CW chegou a bater recordes de audiência multiplataforma durante o evento Crisis on Infinite Earths (2019), quando Gustin contracenou com Ezra Miller, o Flash do cinema.

No Brasil, o fandom se organiza em comunidades digitais no X/Twitter e Reddit, mantendo fluxo constante de conteúdo e memes baseados em Barry Allen. A leveza da série, com humor e temas familiares, segue atraente em comparação ao tom soturno de outras adaptações da DC. O PluggedIn destaca que “The Flash preserva o espírito luminoso dos quadrinhos de Silver Age, tornando-se raro exemplo de herói de TV centrado na empatia e não na violência*”.

O perfil crítico da série também é positivo. No IMDb, The Flash mantém média 7,5/10 entre quase 400 mil avaliações. O Rotten Tomatoes registra 92 % de aprovação na 1ª temporada e nota média de 7,7/10 nas demais. Segundo o RatingGraph, as melhores fases foram as três primeiras (S1 8,6; S2 8,5; S3 8,1), com queda até S7 6,6 — trajetória típica de desgaste industrial mais que narrativo.

A evolução de Barry Allen segue três atos: o herói cientista nascido do luto; o líder de equipe numa rede de afeto (Cisco, Caitlin, Iris); e a figura mítica do multiverso, que liga toda a franquia DC na TV. O episódio “Welcome to Earth-2” (2016) teve 3,96 milhões de espectadores e 93 % de aprovação crítica, síntese do auge criativo da série.

Nos bastidores, a transformação da CW em emissora focada em streaming e a reorganização da Warner sob o selo DC Studios fecharam o ciclo da televisão de heróis semanais. A própria CW anunciou mudança de modelo em 2023, com menos séries de herói e mais coproduções internacionais (EW).

Em 2025, o catálogo de The Flash mantém-se entre os 20 títulos de super-heróis mais assistidos no Brasil, segundo dados semanais da Nielsen Brasil. O Painel FlixPatrol aponta oscilações entre as posições 6 e 10 no Top TV Shows Netflix Brasil entre setembro e outubro de 2025. A média nacional estimada de visualizações únicas semanais é de 1,3 a 1,6 milhão de contas, com pico em semanas de feriado ou promoções da plataforma.

Reassistir a The Flash em 2025 não é apenas nostalgia. É observar um momento em que a TV de heróis ainda tinha fôlego para crescer antes da padronização do streaming. Grant Gustin é símbolo disso: um ator que atravessou toda a transformação da televisão americana, consolidando-se como o rosto mais duradouro do Flash em qualquer mídia.

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