Mitomania: o distúrbio psicológico por trás da fala de Gracyanne Barbosa que incendiou as redes

Mitomania: o distúrbio psicológico por trás da fala de Gracyanne Barbosa que incendiou as redes
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 20 de outubro de 2025 12

A modelo e influenciadora Gracyanne Barbosa voltou a ser o centro das atenções após admitir em uma entrevista que “costuma mentir para não decepcionar as pessoas”. A declaração bastou para que o termo “mitomania” — transtorno caracterizado pela compulsão em mentir — se tornasse um dos mais buscados no Google Trends e dominasse os debates no X (antigo Twitter) e no Instagram.

O que é mitomania

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a mitomania é um distúrbio psicológico em que o indivíduo sente uma necessidade incontrolável de mentir, mesmo sem benefício direto. Os pacientes criam narrativas para preencher lacunas emocionais, ganhar admiração ou evitar rejeição.

O psiquiatra Carlos Sampaio, ouvido pelo Diário Tocantinense, explica que a mitomania “não é apenas o ato de mentir, mas uma dependência da mentira como mecanismo de defesa”. Segundo ele, é comum em pessoas com autoestima fragilizada e em ambientes que valorizam a performance social — como o mundo digital.

Influência das redes sociais

O psicólogo e pesquisador Leonardo Cerqueira, do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Brasília, observa que a cultura de autopromoção nas redes intensifica comportamentos compulsivos. “O influenciador precisa manter um personagem. Quando a realidade não acompanha a imagem, muitos recorrem à distorção como forma de sobrevivência emocional”, afirma.

Um levantamento do DataReportal 2025 mostra que o brasileiro passa, em média, 3h46 por dia em redes sociais, tempo 28% superior à média global. Essa exposição constante à comparação e ao julgamento digital tem sido associada a quadros de ansiedade, depressão e distorção de autoimagem, segundo a Fiocruz.

Mitomania entre influenciadores

Nos últimos anos, casos envolvendo influenciadores e artistas reforçaram o debate sobre a linha tênue entre ficção e realidade online. Em 2023, um estudo do King’s College London mostrou que 8 em cada 10 criadores de conteúdo admitem já ter “embelezado” suas histórias para gerar engajamento — comportamento que, segundo os pesquisadores, pode evoluir para um padrão mitomaníaco.

Para a psicóloga Márcia Borges, especialista em comportamento digital, “o problema é quando a mentira deixa de ser estratégia e passa a ser identidade”. Ela alerta que a mitomania, se não tratada, pode causar rompimentos pessoais, crises de reputação e até bloqueios de memória afetiva, já que o indivíduo começa a acreditar nas próprias narrativas.

Tratamento e prevenção

A mitomania é tratável, mas requer psicoterapia cognitivo-comportamental e, em alguns casos, uso de medicamentos ansiolíticos. O primeiro passo é o reconhecimento do problema — algo difícil para quem vive sob os holofotes e confunde aceitação com aprovação.

Gracyanne, após a repercussão, afirmou que busca equilíbrio e autoconhecimento. “As pessoas julgam sem entender que todos temos nossas lutas internas”, escreveu em seu perfil oficial no Instagram.

O episódio reacende o debate sobre a saúde mental no universo das celebridades digitais, em que a necessidade de ser admirado pode se tornar uma prisão invisível.
A mitomania, antes restrita ao consultório psiquiátrico, agora se tornou um espelho de uma geração que mede valor em curtidas.

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