Duplicação da BR-153: promessas, atrasos e o que mudou entre Anápolis e Aliança do Tocantins

Duplicação da BR-153: promessas, atrasos e o que mudou entre Anápolis e Aliança do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de outubro de 2025 10

A rodovia federal BR-153 — no trecho entre Anápolis (GO) e Aliança do Tocantins (TO) — é um dos eixos logísticos mais estratégicos para o escoamento de grãos e transporte de cargas entre o Centro-Oeste e a região Norte do Brasil. O chamado “Sistema Anápolis-Aliança” integra as rodovias BR-153/GO-TO, BR-414/GO e BR-080/GO sob o contrato de concessão da Ecovias do Araguaia.

Apesar de ter sido anunciada como prioridade pelo governo federal e pelo setor privado, a duplicação permanece incompleta, com lotes entregues, obras em andamento e segmentos paralisados — o que gera impactos econômicos, logísticos e sociais na região.


1. Panorama contratual e de concessão

O edital da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o trecho BR-153/414/080 entre Anápolis e Aliança do Tocantins descreve uma extensão de 624,1 km sob contrato de concessão.

A Ecovias do Araguaia informa que, em seu contrato, estão previstas 622 km de duplicações no sistema, conforme relatório institucional.

Em agosto de 2025, a concessionária anunciou R$ 500 milhões em obras de duplicação no trecho GO/TO, beneficiando cerca de 86 mil pessoas.

Em 2024, foram liberados 11,25 km em Gurupi (TO) e 1,6 km em Aliança (TO). A previsão é de novos trechos entregues até 2026, segundo a empresa.


2. O que já foi entregue, o que está em obra e o que ainda aguarda

Entregues

No Tocantins, a Ecovias do Araguaia confirmou a entrega dos trechos de Gurupi e Aliança, que somam 12,8 km de duplicação.
Segundo o relatório de 2024, 68% das obras previstas nesses municípios estavam concluídas.

Em obras

Em Goiás, há 53,44 km de duplicação em execução entre Uruaçu, Campinorte, Rialma e Rianápolis, conforme informou o Jornal Opção.
Também ocorrem intervenções de conservação, construção de marginais e passarelas ao longo da via.

Atrasos e pendências

Apesar dos avanços, a duplicação total do trecho Anápolis-Aliança pode levar até quatro anos, segundo reportagem do G1 e Globoplay, devido a licitações, desapropriações e pendências contratuais.
Moradores e comerciantes relatam apreensão com remoções e indefinições, como destacou o Jornal Diálogo do Norte.


3. Importância estratégica e impactos econômicos

A BR-153 conecta as regiões agrícolas do Matopiba (TO, MA, PI, BA) ao Sudeste e ao Norte do país, sendo fundamental para o escoamento de grãos, carnes e minérios.

O anúncio de investimentos reforça o papel da via como eixo logístico central do país. Contudo, a demora na duplicação eleva o custo do frete, aumenta o risco de acidentes e limita a competitividade de produtores e transportadoras.
De acordo com o Globoplay, a duplicação completa “só deve ser concluída daqui a quatro anos”.


4. Impactos sociais e ambientais

Pequenos comércios próximos à rodovia foram diretamente afetados pelas obras. Segundo o Jornal Diálogo do Norte, muitos empresários enfrentam remoções e mudança de pontos comerciais.

Em contrapartida, a duplicação trouxe redução de até 35% nos acidentes fatais, conforme apuração do Jornal Opção com base em dados da concessionária.
O impacto ambiental segue monitorado por órgãos estaduais e federais, dada a travessia por áreas sensíveis de cerrado e zonas urbanas em expansão.


5. Crítica e entraves

A execução sofre com desapropriações pendentes, atrasos licitatórios e mudanças contratuais. A ANTTreconhece que parte do cronograma depende de liberações orçamentárias.

Analistas apontam que “as obras começam em ritmo acelerado, mas desaceleram após as primeiras entregas simbólicas”. A percepção foi destacada em reportagem do Globoplay.

O setor logístico afirma que os custos do atraso recaem sobre produtores e transportadores, e não apenas sobre o Estado ou a concessionária — ampliando o debate sobre financiamento de infraestrutura e políticas públicas no eixo Centro-Norte.


6. O que esperar nos próximos anos

O governo federal e a concessionária projetam a conclusão dos 53,44 km em Goiás como prioridade imediata.
O contrato prevê 622 km de duplicação, dos quais 57% devem ser concluídos até o décimo ano da concessão, conforme a Ecovias do Araguaia.

A duplicação da BR-153 entre Anápolis e Aliança do Tocantins permanece uma obra de alta relevância nacional, mas também de execução incompleta.
Os dados oficiais confirmam entregas iniciais, novos investimentos e contratos de longo prazo, mas os entraves contratuais e os impactos econômicos indicam que a solução ainda está em construção.

Para produtores, transportadores e moradores, cada quilômetro entregue faz diferença, mas a expectativa por uma rodovia moderna e segura — prometida há décadas — continua sendo um desafio à parte.

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