2ª madrugada de espetáculo no céu: chuva de meteoros Orionídeas volta a iluminar o Brasil — veja horários e como observar
A chuva de meteoros Orionídeas volta a iluminar o céu brasileiro nesta segunda madrugada consecutiva de observação, oferecendo aos amantes da astronomia uma nova oportunidade de acompanhar um dos fenômenos mais belos do calendário celeste.
O evento atinge seu segundo pico de intensidade entre as madrugadas de 21 e 22 de outubro, com previsão de até 20 meteoros por hora, conforme estimativas do Observatório Nacional e da NASA. O fenômeno também deve ser visível, em menor intensidade, na madrugada do dia 23.
Um espetáculo natural de origem lendária
As Orionídeas têm origem nos fragmentos do cometa 1P/Halley, o mais famoso da história da astronomia, visível da Terra pela última vez em 1986.
A cada ano, no mês de outubro, o planeta atravessa o rastro de poeira cósmica deixado por Halley. Ao entrar na atmosfera, essas partículas se incendeiam, formando as trilhas luminosas que popularmente chamamos de “estrelas cadentes”.
Segundo a NASA, os meteoros das Orionídeas são rápidos e brilhantes, podendo deixar rastros visíveis por até dois segundos e apresentar tons azulados ou esverdeados, devido à composição química dos fragmentos.
A análise do astrônomo Renato Poltronieri
O astrônomo Renato Poltronieri, do Observatório Astrocandia, em Andeara (SP), reforçou ao Diário Tocantinense que esta é a segunda noite consecutiva de observação intensa da chuva.
“É a 2ª noite de uma chuva muito bacana. A Terra está cruzando o rastro deixado pelo cometa Halley, e isso gera esse espetáculo visível a olho nu. Basta olhar para o leste e procurar as famosas Três Marias, na constelação de Órion”, explicou o astrônomo, que trabalha em parceria com a Bramont Astronomia.
Poltronieri ressalta que o fenômeno não exige equipamentos especiais:
“É um fenômeno de fácil observação e que vale muito a pena registrar. Basta um céu limpo, longe das luzes da cidade, e um pouco de paciência para observar as estrelas cadentes riscando o firmamento.”
Melhores horários de observação no Brasil
Os horários de maior visibilidade variam conforme a região do país:
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Norte e Nordeste: a partir de 00h30
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Centro-Oeste e Sudeste: entre 00h30 e 01h00
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Sul: por volta de 01h30
A recomendação é buscar locais com baixa poluição luminosa, como praias, campos abertos e áreas rurais, e manter os olhos voltados para o lado leste, onde se localiza a constelação de Órion — facilmente reconhecível pelas Três Marias (Alnitak, Alnilam e Mintaka).
Curiosidades astronômicas
As Orionídeas são conhecidas desde a Antiguidade e mencionadas em registros babilônicos. O nome vem da constelação de Órion, ponto de origem aparente dos meteoros.
De acordo com a American Meteor Society, o fenômeno é um dos mais consistentes do ano e costuma gerar picos de brilho excepcionais a cada quatro anos — o próximo, previsto para 2027.
O Halley, responsável pela chuva, voltará a ser visível da Terra apenas em 2061, o que torna os eventos anuais como as Orionídeas uma ligação simbólica entre gerações de observadores.
Registros e novas imagens
O astrônomo Renato Poltronieri capturou novas imagens durante a madrugada desta terça-feira (22), registrando meteoros que cruzaram o céu de São Paulo e do interior do Tocantins. Os vídeos estarão disponíveis nas próximas horas no canal do Diário Tocantinense e nas redes do observatório.
“Bons céus a todos!”, finaliza o astrônomo, entusiasmado com as novas imagens captadas durante a observação.
A chuva de meteoros Orionídeas renova o fascínio da humanidade pelo cosmos e reforça a importância da divulgação científica acessível, permitindo que qualquer pessoa — de amadores a pesquisadores — possa contemplar um espetáculo natural com o simples ato de olhar para o céu.
Com o céu limpo e o olhar voltado ao leste, o Brasil volta a testemunhar um fragmento da história cósmica do cometa Halley, um fenômeno que une ciência, beleza e imaginação.