Lula e Trump fecham encontro na Malásia com promessa de rever tarifas e reaproximar Brasil e EUA

Lula e Trump fecham encontro na Malásia com promessa de rever tarifas e reaproximar Brasil e EUA
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 26 de outubro de 2025 5

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste domingo (26) em Kuala Lumpur, na Malásia, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro, marcado por tom pragmático e cordial, resultou no compromisso de iniciar negociações imediatas para revisar as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros — especialmente nos setores de aço, alumínio, agronegócio, tecnologia e energia.

De acordo com a diplomacia brasileira, a reunião simboliza uma retomada do diálogo econômico entre os dois países e um reposicionamento do Brasil na agenda internacional de competitividade. Lula destacou que as medidas tarifárias norte-americanas carecem de base técnica, lembrando que, historicamente, os Estados Unidos mantêm superávit comercial em relação ao Brasil.

“Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e sanções contra autoridades brasileiras”, afirmou Lula após o encontro. O chanceler Mauro Vieira classificou a conversa como “franca e sem assuntos proibidos”, acrescentando que as tratativas bilaterais devem ser concluídas “em poucas semanas”.

Trump, por sua vez, elogiou Lula e destacou sua “resiliência e liderança global”, afirmando que “o Brasil é um parceiro estratégico e fundamental para os Estados Unidos”. Questionado sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o republicano foi direto: “Não vim falar de Bolsonaro. Estou aqui para tratar da relação entre Estados Unidos e Brasil.”

Nos bastidores diplomáticos, o encontro é visto como um sinal de distensão após anos de atrito comercial. A Casa Branca e o Itamaraty confirmaram que técnicos dos ministérios da Fazenda, Indústria e Relações Exteriores já estão em contato com representantes do Departamento de Comércio dos EUA para definir os próximos passos.

Economistas apontam que a revisão pode beneficiar diretamente exportadores brasileiros, sobretudo do agronegócio e da indústria metalúrgica. Para estados como Tocantins, Mato Grosso e Goiás, a medida tende a reduzir custos de exportação e aumentar a competitividade de produtos como soja, carne e minério de ferro.

Especialistas em comércio internacional afirmam que, além dos ganhos econômicos, o gesto tem peso geopolítico. O Brasil busca reafirmar sua posição como liderança regional independente, capaz de negociar com Washington e Pequim sem alinhamento automático.

Se confirmadas, as reduções tarifárias poderão representar uma reversão de mais de 50% das barreiras aplicadas aos produtos brasileiros nos últimos cinco anos — um dos pontos centrais das críticas de Lula ao protecionismo norte-americano.

As negociações prosseguem nesta segunda-feira, com reuniões entre ministros brasileiros e autoridades dos EUA. O Itamaraty classificou o encontro como “um passo histórico para restabelecer uma parceria madura e de ganhos recíprocos”.

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