Portelinhando Crônicas I Além do STF: a história que não contaram sobre as mulheres no Judiciário

Portelinhando Crônicas I Além do STF: a história que não contaram sobre as mulheres no Judiciário
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 27 de outubro de 2025 16

Por João Portelinha | Portelinhando Crônicas– Em meio ao vendaval de críticas após a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, uma narrativa simples ganhou corpo: A cobrança é justa. O problema é quando se usa um fragmento para tentar reescrever toda a história — e apagar o que está mudando longe do foco das câmeras.

Porque, se o assunto é mulher em posições de comando na Justiça, vale olhar o cenário completo: nunca houve tantas nomeações femininas para cortes superiores quanto agora.

Lula indicou Daniela Teixeira e Maria Marluce Caldas Bezerra ao STJ, Verônica Abdalla Sterman ao STM e Estela Aranha ao TSE. Em alguns casos, listas inteiras compostas apenas por mulheres chegaram ao Palácio do Planalto. Algo impensável há poucos anos.

Ainda assim, parte da mídia preferiu a manchete rápida:

1 vaga masculina = todo o governo contra a representatividade feminina.
Matemática frágil. Conclusões fáceis.

Uma mudança que não começou ontem

O Judiciário brasileiro tem um passado de portas pesadas — e seletivas.
Décadas de exclusões, séculos de distorção.

É evidente que uma só nomeação ao STF não basta.
Mas é igualmente evidente que a mudança está em curso.
Na direção certa. No ritmo que a institucionalidade permite. O que se discute não é um gesto isolado,mas um esforço histórico para abrir espaço onde ele nunca existiu.

STF continua devendo — e muito

Representatividade não é caridade.
É correção de rota.
E o país ainda está longe do ideal.

Mas ignorar conquistas concretas para alimentar polêmica?
Isso, sim, é injusto.

O debate precisa ser honesto.
E completo.

Conclusão de quem observa sem lupa embaçada

Lula não encerrou o problema.
Mas é o presidente que mais avançou nele.

Que venham mulheres no STF — e em todos os tribunais.
Que a balança da justiça, enfim, reflita quem somos como sociedade.

Até lá, seguimos atentos. E cobrando.
Com honestidade e memória.

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