Dayanna Maia: atriz da Netflix desponta como uma das vozes mais potentes do cinema independente brasileiro

Dayanna Maia: atriz da Netflix desponta como uma das vozes mais potentes do cinema independente brasileiro
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de outubro de 2025 20

Em entrevista ao Hora da Fama, em parceria com a FirstPress, a artista fala sobre arte, resistência e o poder de criar os próprios caminhos

Em um momento em que a cultura brasileira enfrenta cortes de financiamento e uma batalha diária contra a invisibilidade regional, a atriz e realizadora Dayanna Maia surge como um dos nomes mais expressivos da nova geração de artistas nacionais.

Reconhecida por sua atuação marcante no longa “Donos do Jogo”, disponível na Netflix, Dayanna conversou com exclusividade com o Hora da Fama, quadro produzido em parceria com a FirstPress, sobre sua trajetória, os desafios da mulher nas artes e o nascimento da Amaia Produções, sua produtora independente.“A arte nasce do incômodo. Criar é resistir. E resistir é existir com verdade”, afirma Dayanna, com olhar firme e voz segura.

O início e a descoberta da arte

Vinda de uma família sem tradição artística, Dayanna descobriu cedo a arte como refúgio e forma de expressão. “Desde pequena eu era uma criança sensível, com uma ânsia de expressar algo que eu não sabia exatamente o que era”, lembra.

Durante a infância, dedicou-se ao jazz — experiência que despertou a paixão pela performance. Mas foi na faculdade de Artes Cênicas da Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro, que ela entendeu seu verdadeiro propósito. “No momento em que pisei na CAL, meu corpo entendeu que aquele era o meu lugar. Foi como se algo em mim dissesse: é aqui. Não tinha mais volta.”

Donos do Jogo e o amadurecimento artístico

O papel de mãe em Donos do Jogo marcou sua carreira. “Foi um suspiro, uma celebração. Me dediquei muito para construir todas as camadas dessa personagem”, conta.

No teatro, ganhou projeção com Escape, peça criada e dirigida em parceria com a atriz Letícia Laranja. “Escape nasceu de uma cena pequena e virou uma peça inteira. Foi quando aprendi a confiar no meu olhar e no meu processo criativo.”

O Brasil que o mundo precisa ver

Dayanna também levou o cinema brasileiro além das fronteiras com o longa Níobe, exibido em festivais na Argentina. “Sempre quis levar a nossa história pra fora. Ver o público estrangeiro se emocionar com uma produção brasileira é indescritível.”

Ser mulher e criar como forma de resistência

Ao refletir sobre o papel da mulher nas artes, Dayanna não romantiza. “Até a roupa que usamos pode ser motivo pra questionarem nossa competência. Isso é estrutural e ainda nos impõe vigilância constante.”
Ela acredita na arte como ferramenta política e existencial. “Criar é resistir. E resistir é existir com verdade.”

Amaia Produções: o sonho da autonomia

Com desejo de liberdade criativa, fundou a Amaia Produções, voltada a projetos autorais. “Criei a Amaia pra viver uma vida artística que não precisasse pedir permissão pra existir. É um espaço de liberdade e construção de caminhos.”
Com planos para novas produções no teatro, cinema e streaming, ela projeta 2026 como um ano de expansão e amadurecimento profissional.

Um olhar para o Tocantins

Apesar de ainda não ter atuado artisticamente no Estado, Dayanna demonstra respeito e curiosidade pela cena local. “O Norte e o Centro-Oeste têm uma força cultural única. Seria uma honra trabalhar por aí, trocar experiências e conhecer de perto como a arte se manifesta nessa região.”

Mensagem aos jovens artistas

“Desenvolvam ferramentas de permanência. Criem seus próprios projetos, mesmo que pequenos. Realizem dentro do que é possível, mas nunca parem. Busquem parcerias, aprendam com quem está perto e não tenham medo de parecer ridículos. As suas esquisitices são o que te tornam único.”

Com uma trajetória marcada por coragem e autenticidade, Dayanna Maia consolida-se como uma artista que une técnica, sensibilidade e propósito. Do teatro ao streaming, ela segue reafirmando o poder transformador da arte e o valor de acreditar nos próprios passos.

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