Deputados relatam coleta de assinaturas na Assembleia para por impeachment de Wanderlei em pauta

Deputados relatam coleta de assinaturas na Assembleia para por impeachment de Wanderlei em pauta
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de outubro de 2025 15

A crise política no Tocantins ganhou novo desdobramento nesta quarta-feira (29). Três deputados estaduais relataram a informação é do portal CT (Cleber Toledo), sob condição de anonimato, que há uma lista circulando na Assembleia Legislativapara coletar assinaturas com o objetivo de colocar em pauta o impeachment do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).

Segundo os parlamentares, deputados e pessoas ligadas ao Palácio Araguaia estariam articulando o movimento. Até o fim da manhã, 11 assinaturas já teriam sido obtidas. Para formalizar o pedido, seriam necessárias 13 assinaturas, que representam a maioria simples da Casa.
Ainda assim, de acordo com as mesmas fontes, o presidente da Assembleia, Amélio Cayres (Republicanos), teria sinalizado que só agiria com o apoio de dois terços do plenário — 16 assinaturas.

Negativas e versões conflitantes

O deputado Gutierres Torquato (PSD), aliado próximo do governador em exercício Laurez Moreira (PSD), negou qualquer movimentação interna. “Dentro da Assembleia não tem esse movimento”, afirmou. Outro parlamentar ouvido pelo portal CT minimizou o episódio: “Estão aprofundando o diálogo; lista, tecnicamente, eu não vi.” Nos bastidores, entretanto, fontes confirmam que há tensão crescente entre grupos que defendem aguardar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e outros que querem acelerar o processo de impedimento.

Três pedidos de impeachment na Aleto

Atualmente, três pedidos de impeachment contra Wanderlei Barbosa estão protocolados na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto).
Dois deles foram apresentados pelo vereador de Palmas Carlos Amastha (PSB) e o terceiro, pelo advogado Paulo Roberto da Silva, de Araguaína. A Mesa Diretora ainda não se pronunciou oficialmente sobre o andamento dos pedidos, e não há previsão de análise.

Aguardar ou agir: o impasse político

A indefinição sobre o futuro do governador afastado está diretamente ligada à decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que deve julgar o agravo impetrado pela defesa de Wanderlei contra decisão do ministro Luís Roberto Barroso, que negou o habeas corpus para o retorno dele ao cargo.

Inicialmente, a expectativa era de que o presidente da Assembleia, Amélio Cayres, esperasse o resultado do STF antes de abrir qualquer debate sobre o impeachment. Contudo, deputados ouvidos pelo portal CT afirmaram que grupos parlamentares e aliados do próprio Palácio Araguaia têm se mobilizado para acelerar o processo político e dar uma resposta institucional ao impasse.

Operação Fames-19 e nova denúncia

Paralelamente à movimentação legislativa, a revista Veja revelou nesta semana que o escritório de advocacia que representa Wanderlei Barbosa na Operação Fames-19 teria recebido R$ 20 milhões em uma ação milionária movida contra a gestão do próprio governador — informação que aumentou a pressão política sobre o grupo de apoio ao gestor afastado.

A denúncia reforça o desgaste em torno do caso Fames-19, que investiga supostas fraudes em contratos de compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia.

Enquanto o STF analisa o recurso e a Assembleia enfrenta pressões internas, o cenário político do Tocantins permanece em suspensão.
Entre o cálculo jurídico e o desgaste político, o caso Wanderlei Barbosa se consolida como um divisor de águas para a atual legislatura — e um teste para a autonomia e o equilíbrio do Parlamento tocantinense.

Notícias relacionadas