Portelinhando Crônicas: Lealdade que Resiste aos Ventos da Política

Portelinhando Crônicas: Lealdade que Resiste aos Ventos da Política
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de outubro de 2025 8

Na dança, muitas vezes volátil, da política brasileira — onde alianças se formam e se desfazem ao sabor das conveniências — há gestos que desafiam o tempo e as circunstâncias. Entre eles, a lealdade. E poucas figuras personificam essa virtude com tanta clareza quanto Kátia Abreu, senadora e ex-ministra da Agricultura, que transformou coerência em marca pessoal em meio às tempestades partidárias.

Durante o conturbado processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando o país se dividia e as lealdades políticas eram testadas sob fogo cruzado, Kátia fez uma escolha rara: permaneceu ao lado da ex-presidente, mesmo quando a maré empurrava todos para a conveniência do abandono.

Sua defesa ultrapassou a esfera política — foi um gesto de alma, de convicção. Enquanto a maioria buscava refúgio nas zonas de conforto, Kátia manteve-se fiel a princípios que, para muitos, já pareciam obsoletos.

Lealdade como ato político e moral

Mais do que um posicionamento partidário, sua atitude foi um ato de fidelidade pessoal e moral. Em um ambiente marcado por rupturas e rearranjos diários, sua postura virou símbolo de resistência ética.

A lealdade, quando autêntica, não se mede pelo poder que oferece, mas pelo preço que se paga para sustentá-la. E Kátia pagou esse preço — com isolamento político temporário, críticas e perda de espaço. Ainda assim, manteve-se firme.

“Podemos divergir de suas decisões, mas negar-lhe a fidelidade que a distingue seria, no mínimo, uma injustiça”, diz o texto da crônica, em referência ao reconhecimento de sua trajetória coerente.

Um raro gesto em tempos de conveniência

Em um país habituado à volatilidade dos apoios e às alianças por sobrevivência, a coerência tornou-se ato de coragem. A trajetória de Kátia Abreu — marcada por convicções, rupturas conscientes e fidelidades preservadas — revela que a política ainda pode ser terreno para gestos humanos, e não apenas estratégicos.

O caso da senadora transcende o episódio histórico de 2016. Ele ecoa como um lembrete de que, mesmo nas arenas mais pragmáticas, há espaço para quem escolhe a lealdade ao invés do oportunismo.

A fidelidade que não muda com o vento

Em uma aula sobre fidelidade política, citei o exemplo notório de Kátia Abreu — não como ideal partidário, mas como símbolo de um valor em extinção.
Porque lealdade, quando é de verdade, não muda com o vento.

Em um Brasil de rupturas instantâneas e compromissos descartáveis, permanece a imagem de uma mulher que atravessou os ventos da adversidade sem perder o eixo.
E é justamente essa constância que transforma a política, a amizade e a vida em espaços onde a palavra honra ainda tem sentido.

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