Golpe do Falso Advogado cresce no Brasil: saiba como identificar, se proteger e denunciar
O golpe do falso advogado tem se espalhado com velocidade no Brasil, usando mensagens personalizadas, perfis falsos no WhatsApp e dados reais de processos para tentar extorquir vítimas. A prática, que envolve criminalidade digital e engenharia social, parte da simulação de um contato legítimo por parte de escritórios de advocacia ou defensores públicos, com pedidos de transferências via Pix para supostos alvarás liberados ou custos processuais.
Uma profissional de tecnologia da informação, que prefere não se identificar, recebeu uma dessas mensagens na última semana, quando foi informada por um número desconhecido sobre um “resgate judicial” em seu nome. “A pessoa tinha meu CPF, meu número de processo e usava a foto do meu advogado. Só desconfiei porque o número não era o mesmo”, relata. Ao confirmar diretamente com seu advogado, descobriu que não havia liberação de valores ou solicitação feita em seu nome. “Só aí tive certeza de que era tentativa de golpe”.
O modelo já é relatado em diferentes estados — incluindo Tocantins, como registrou o Diário Tocantinense em matéria sobre golpes digitais no estado, e se apoia no acesso a informações públicas que podem ser consultadas por qualquer pessoa em sistemas como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) e o ESAJ. A coleta de dados pessoais, como CPF, endereço e número de processo, é usada para dar verossimilhança ao golpe — frequentemente ampliada por vazamentos de dados ou venda de cadastros na deep web.
Como evitar cair no golpe do falso advogado
Segundo o especialista em segurança digital Emerson Duarte, professor da Estácio, a primeira barreira de proteção é a checagem de identidade do profissional. A plataforma [ConfirmAdv da OAB] permite consultar se um advogado é realmente inscrito na Ordem, bastando informar número da carteira, estado e e-mail. Doyle recomenda desconfiar de mensagens que solicitam pressa, transferência imediata ou sigilo, especialmente se feitas por canais pouco usuais.
“O pagamento só deve ser feito para contas vinculadas ao profissional ou ao escritório de advocacia, nunca para terceiros”, destaca. O especialista afirma que também é indicado evitar clicar em links encaminhados por desconhecidos e não abrir processos ou arquivos enviados via WhatsApp ou e-mail sem confirmação direta do advogado.
A checagem presencial com o escritório ou por ligação para contatos oficiais é a medida mais segura para confirmar o andamento de processos. Especialistas também orientam vítimas e familiares a registrar boletim de ocorrência, especialmente quando há tentativa de extorsão, ameaça ou pedido financeiro.
Como agir e denunciar
Em caso de contato suspeito, o protocolo básico inclui não fornecer dados pessoais, prints de tela, bloqueio do número e denúncia do contato no aplicativo usado. No Tocantins, casos podem ser registrados em qualquer delegacia, como já apontado pelo [Diário Tocantinense em reportagem sobre crimes digitais]. Em Goiás, as denúncias podem ser feitas diretamente na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), em Goiânia, coordenada pela delegada Marcella Cordeiro Orçai. Os cidadãos podem contatar a unidade pelo telefone (62) 3201-2651 ou pelo e-mail dercc.pcgo@gmail.com.
Os órgãos recomendam reunir provas como números de telefone, perfis falsos, áudios, links, nomes de perfis e comprovantes de pagamentos eventualmente realizados. A denúncia rápida aumenta a possibilidade de rastreamento do golpe e diminui a expansão para novas vítimas, sobretudo idosos, grupo mais vulnerável a esse modelo de abordagem.
“Educação digital e apoio familiar são essenciais. Ensinar os mais velhos a desconfiar, a pedir ajuda, a não clicar em qualquer link é tão importante quanto proteger senhas”, observa Emerson Duarte.
Com a expansão do golpe do falso advogado, autoridades reforçam a necessidade de checagem direta com os escritórios, denúncia das tentativas de fraude e atenção redobrada em aplicativos de mensagem.