“Jornalista não é inimigo. Jornalista informa.” A frase de William Bonner e o recado que ela envia ao Tocantins
“Jornalista não é inimigo de ninguém. Jornalista não acusa. Jornalista informa.”
A frase dita por William Bonner no horário nobre da televisão brasileira não foi apenas um afeto retórico ou um desabafo pessoal: foi um alerta. Um lembrete direto sobre os pilares da democracia e sobre o que verdadeiramente está em jogo quando profissionais da imprensa são atacados, intimidados ou desacreditados por simplesmente exercerem seu papel constitucional.
No Tocantins, a reverberação foi imediata. Nas últimas semanas, o Diário Tocantinense e outros veículos independentes do Estado foram alvo de tentativas de desqualificação do trabalho jornalístico — pressões veladas, tentativas de intimidação, retaliações e campanhas difamatórias surgiram após reportagens que cobravam transparência de autoridades públicas, abordavam temas sensíveis e expunham dados oficiais.
Ao contrário do que insinuam ataques, o jornalista não escolhe lado político ou se coloca contra pessoas: ele escolhe a informação — e a assegura como direito público.
1. Quando o jornalismo vira alvo, quem perde não é o veículo — é o cidadão
O jornalismo existe para informar, apurar, questionar, publicar documentos, provocar reflexão e garantir que a sociedade tenha acesso a dados reais e verificados. Quando tentam transformar jornalistas em inimigos, não estão atacando apenas profissionais — estão violando o direito coletivo à verdade, previsto na Constituição Federal e essencial para a democracia.
2. O que protege a imprensa no Brasil: Constituição, leis, Estado Democrático de Direito
A Constituição Federal assegura:
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Liberdade de expressão e de pensamento;
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Livre exercício da imprensa, sem censura;
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Direito da sociedade à informação;
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Garantia de que nenhuma autoridade pode impedir a circulação de fatos e ideias, salvo se houver crime comprovado.
Além disso, o Código Penal estabelece mecanismos de proteção ao exercício da profissão, como:
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Crime de ameaça (detenção ou multa);
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Crime de coação contra atividade profissional (reclusão de 1 a 4 anos);
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Crime de perseguição (reclusão de 6 meses a 2 anos).
A legislação não existe para favorecer jornalistas como categoria, mas para preservar a integridade de uma função essencial: produzir transparência pública.
3. O contexto nacional que ecoa no Tocantins
Nos últimos anos, o jornalismo no Brasil — da grande imprensa aos veículos regionais — convive com tentativas de destruição da credibilidade da imprensa: campanhas virtuais, ataques pessoais, tentativas de desmonetização, assédio moral e judicialização do trabalho de reportagem.
No Tocantins, os reflexos são claros:
– Reportagens sobre contratos e verbas públicas despertam reações políticas;
– Investigações sobre saúde, educação e obras públicas geram pressões de bastidores;
– Jornalistas são tratados como adversários quando deveriam ser tratados como intermediários entre o Estado e a sociedade.
4. O papel do jornalismo independente no Tocantins
O Diário Tocantinense reafirma seu compromisso com:
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O direito da população de saber como o dinheiro público é gasto;
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A publicação de pautas técnicas, com base em documentos oficiais e apuração rigorosa;
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O espaço aberto ao contraditório, garantindo direito de resposta;
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O combate à desinformação e ao uso político da acusação contra a imprensa.
Sem imprensa livre, o que resta é a narrativa única — e a narrativa única é a antessala do autoritarismo.
5. A fala de Bonner não é sobre ele — é sobre nós
Quando o apresentador do maior telejornal do país diz que “jornalista não é inimigo”, ele resume o óbvio que precisa ser repetido: toda pessoa pública tem dever de prestar contas, todo governo deve ser fiscalizado, todo cidadão tem direito de ser informado — e o jornalismo é o mecanismo civilizatório que garante isso.
Ninguém está acima da lei.
Ninguém pode silenciar a informação pública.
Ninguém tem o direito de intimidar a imprensa.
6. O jornalismo segue. E vai seguir informando.
O jogo da democracia não pertence a grupos, partidos ou candidatos. Ele pertence à sociedade. Por isso:
O jornalismo não acusa.
O jornalismo não persegue.
O jornalismo não se cala.
O jornalismo informa.
E enquanto houver quem tente calar, haverá quem escreva. Enquanto houver quem tente intimidar, haverá quem publique. Enquanto houver público, haverá imprensa — no Tocantins, no Brasil, em qualquer lugar onde a verdade ainda seja um direito.