Mercado de carbono no Brasil: como funciona o modelo REDD+ e por que o Tocantins pode lucrar na COP30

Mercado de carbono no Brasil: como funciona o modelo REDD+ e por que o Tocantins pode lucrar na COP30
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de novembro de 2025 15

O mercado de carbono avança como pauta prioritária do Brasil na agenda climática global e no cenário econômico interno. Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025, o país articula a criação de um mercado regulado de carbono, enquanto estados como o Tocantins se antecipam para monetizar áreas preservadas e atrair investimentos ambientais. Entenda como esse sistema funciona, o papel do Brasil e a estratégia tocantinense.

O que é o mercado de carbono

Mercado de carbono é o mecanismo internacional que permite comercializar créditos ambientais gerados pela redução ou compensação de emissões de gases de efeito estufa (GEE). Empresas ou governos que excedem metas de emissão podem comprar créditos de quem preserva florestas, recupera áreas degradadas ou reduz emissões de forma comprovada. Existem dois modelos: o mercado regulado, obrigatório em alguns países, e o mercado voluntário, com adesão livre por empresas e governos.

 A proposta do Brasil

O governo federal trabalha na criação de um mercado regulado de carbono com regras claras para monitoramento, verificação e negociação de créditos. Esse sistema tem forte potencial exportador, já que o Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, com capacidade de geração de créditos em escala global. A proposta brasileira também busca consolidar uma posição nas negociações climáticas, com foco em financiamento verde, justiça climática e protagonismo florestal.

O que é o modelo REDD+

O mecanismo REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) recompensa países e regiões que preservam florestas ou evitam desmatamento. Funciona como um sistema de pagamento por resultados ambientais — quanto mais área preservada, maior o potencial de créditos de carbono gerados. O modelo pode ser aplicado em territórios inteiros, como estados ou províncias, no chamado REDD+ jurisdicional, que integra políticas públicas, monitoramento florestal e repasse de recursos para comunidades locais.

 Como o Tocantins está se preparando

O Tocantins estruturou um programa de REDD+ jurisdicional que abrange áreas de Cerrado e floresta amazônica no estado. O projeto prevê geração de créditos de carbono a partir da conservação de extensas áreas nativas, incluindo unidades de conservação, áreas indígenas e propriedades rurais com vegetação preservada. O potencial de receita inclui não só a venda de créditos, mas também fundos internacionais, parcerias com empresas e pagamento direto a produtores que mantêm suas áreas intactas.

O estado planeja levar esse programa à COP30, como exemplo de estratégia subnacional alinhada ao Acordo de Paris. A ideia é mostrar que a conservação pode ser economicamente viável e gerar renda para comunidades locais, pequenos produtores, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais.

O que esperar da COP30

Na COP30, o Brasil deve defender o fortalecimento de um mercado global de carbono regulado, com foco em transparência e inclusão de países que preservam florestas. Estados como o Tocantins enxergam na conferência uma vitrine internacional para atrair investidores, ampliar parcerias e consolidar seu papel na economia verde. Especialistas apontam que o sucesso desses programas dependerá de governança, fiscalização e credibilidade técnica dos cálculos de emissões e estoques de carbono.

O mercado de carbono é uma das maiores apostas do Brasil para unir preservação, desenvolvimento e protagonismo geopolítico. O Tocantins entra nesse mapa com estratégia própria, baseada no modelo REDD+ jurisdicional, tentando transformar floresta preservada em ativo financeiro. A COP30 será um ponto decisivo para saber se essa rota verde se consolida como oportunidade ou permanece como promessa — para o Brasil e para a região Norte e Centro-Oeste do país.

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