Relâmpagos vermelhos são registrados na alta atmosfera do interior de SP em fenômeno raro

Relâmpagos vermelhos são registrados na alta atmosfera do interior de SP em fenômeno raro
Câmera do Observatório Astrocan registra relâmpagos vermelhos raros na alta atmosfera de SP e abre novas frentes de pesquisa sobre tempestades extremas.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de novembro de 2025 24

Uma câmera de alta sensibilidade instalada no Observatório Astrocan, em Nhandeara, interior de São Paulo, registrou na madrugada desta semana um tipo raro de fenômeno luminoso conhecido como sprite, popularmente chamado de “relâmpago vermelho”. O evento ocorre na alta atmosfera, entre 45 km e 90 km de altitude, durante tempestades muito intensas, e costuma durar menos de um milésimo de segundo.

O registro faz parte dos primeiros testes com o novo equipamento instalado no observatório. As imagens captadas mostram colunas verticais de luz vermelha acima das nuvens, a até 150 km de distância da tempestade. A ocorrência desse tipo de descarga elétrica é rara e seu registro é mais frequente em países do hemisfério norte, como os Estados Unidos e o Japão.

Segundo especialistas, os sprites pertencem à categoria dos chamados TLEs (Transient Luminous Events, ou “eventos luminosos transitórios”), que incluem também fenômenos como elves e blue jets. Essas formações têm despertado interesse científico por ajudarem a compreender a interação entre a atmosfera superior e as tempestades comuns.

“A câmera recém-instalada já mostrou seu enorme potencial científico. Capturar sprites é algo extremamente raro e valioso para o estudo das tempestades e da alta atmosfera. Estamos só no começo — muitos fenômenos ainda serão revelados sobre o céu brasileiro”, afirma o físico Renato Poltronieri, responsável pelo projeto.

O Astrocan é administrado por uma equipe de astrônomos amadores e pesquisadores independentes, e se tornou um dos poucos centros brasileiros capazes de registrar esse tipo de evento. Os responsáveis afirmam que os próximos meses devem ampliar o número de registros, já que o verão no país tende a intensificar tempestades e a ocorrência de descargas elétricas incomuns na atmosfera.

Especialistas apontam que, além de revelar componentes pouco explorados do clima terrestre, os sprites também podem ajudar em pesquisas sobre o impacto de tempestades severas nos sistemas elétricos e de comunicação.

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