Fundo do Brasil para Florestas atinge US$ 5,5 bilhões na COP 30 após novo aporte da Noruega; Lula reforça liderança climática do país

Fundo do Brasil para Florestas atinge US$ 5,5 bilhões na COP 30 após novo aporte da Noruega; Lula reforça liderança climática do país
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 7 de novembro de 2025 3

O primeiro dia da COP 30 foi marcado por um anúncio considerado histórico no financiamento global do clima: a Noruega confirmou novo aporte bilionário ao Fundo do Brasil para Florestas, elevando o montante total para US$ 5,5 bilhões. O valor consolida o mecanismo brasileiro como o maior fundo público de preservação florestal do hemisfério sul e reposiciona o Brasil como ator central na diplomacia climática internacional.

O anúncio ocorreu na abertura oficial do evento, que reuniu chefes de Estado, ministros, representantes de organismos multilaterais e líderes indígenas. Por medida de segurança, o espaço aéreo de Belém chegou a ser temporariamente fechado para a chegada de delegações internacionais.


Como funciona o novo fundo

Criado em 2024 como evolução do antigo Fundo Amazônia, o Fundo do Brasil para Florestas tem estrutura permanente de financiamento e governança compartilhada entre União, sociedade civil, setor científico e representantes de povos tradicionais. Os recursos serão destinados a:

  • Redução de desmatamento e queimadas ilegais

  • Projetos de bioeconomia e transição energética em regiões de floresta

  • Proteção territorial de povos indígenas e comunidades ribeirinhas

  • Monitoramento por satélite e tecnologia climática nacional

A Noruega, que já era maior financiadora histórica da política ambiental brasileira, assume agora papel institucional dentro do conselho de governança, ao lado da Alemanha, Reino Unido e Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O discurso de Lula: “Não queremos aplauso, queremos responsabilidade compartilhada”

Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil volta à mesa de negociações internacionais não como “pedinte ambiental”, mas como “coprodutor de soluções”.

“O Brasil não quer ser vitrine verde enquanto o mundo mantém a fumaça acesa. Se a floresta é patrimônio global, o custo de preservá-la não pode recair apenas sobre quem mora nela”, declarou Lula.

O presidente defendeu um sistema de financiamento climático de caráter obrigatório, criticou a lentidão dos países ricos para cumprir metas do Acordo de Paris e afirmou que o país não aceitará novos mecanismos que tratem a Amazônia como compensação ecológica.

Reação internacional e efeito geopolítico

Analistas ambientais apontam que o reforço do fundo muda a correlação de forças dentro da COP: pela primeira vez em uma conferência climática, um país do sul global lidera o maior fundo de mitigação do evento.

A medida também reforça a estratégia brasileira de diferenciar sua política florestal das de países que dependem de créditos de carbono sem políticas de controle territorial. O aporte da Noruega foi condicionado a metas verificáveis de redução de desmatamento até 2026 e auditorias anuais independentes.

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