Fundo do Brasil para Florestas atinge US$ 5,5 bilhões na COP 30 após novo aporte da Noruega; Lula reforça liderança climática do país
O primeiro dia da COP 30 foi marcado por um anúncio considerado histórico no financiamento global do clima: a Noruega confirmou novo aporte bilionário ao Fundo do Brasil para Florestas, elevando o montante total para US$ 5,5 bilhões. O valor consolida o mecanismo brasileiro como o maior fundo público de preservação florestal do hemisfério sul e reposiciona o Brasil como ator central na diplomacia climática internacional.
O anúncio ocorreu na abertura oficial do evento, que reuniu chefes de Estado, ministros, representantes de organismos multilaterais e líderes indígenas. Por medida de segurança, o espaço aéreo de Belém chegou a ser temporariamente fechado para a chegada de delegações internacionais.
Como funciona o novo fundo
Criado em 2024 como evolução do antigo Fundo Amazônia, o Fundo do Brasil para Florestas tem estrutura permanente de financiamento e governança compartilhada entre União, sociedade civil, setor científico e representantes de povos tradicionais. Os recursos serão destinados a:
-
Redução de desmatamento e queimadas ilegais
-
Projetos de bioeconomia e transição energética em regiões de floresta
-
Proteção territorial de povos indígenas e comunidades ribeirinhas
-
Monitoramento por satélite e tecnologia climática nacional
A Noruega, que já era maior financiadora histórica da política ambiental brasileira, assume agora papel institucional dentro do conselho de governança, ao lado da Alemanha, Reino Unido e Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O discurso de Lula: “Não queremos aplauso, queremos responsabilidade compartilhada”
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil volta à mesa de negociações internacionais não como “pedinte ambiental”, mas como “coprodutor de soluções”.
“O Brasil não quer ser vitrine verde enquanto o mundo mantém a fumaça acesa. Se a floresta é patrimônio global, o custo de preservá-la não pode recair apenas sobre quem mora nela”, declarou Lula.
O presidente defendeu um sistema de financiamento climático de caráter obrigatório, criticou a lentidão dos países ricos para cumprir metas do Acordo de Paris e afirmou que o país não aceitará novos mecanismos que tratem a Amazônia como compensação ecológica.
Reação internacional e efeito geopolítico
Analistas ambientais apontam que o reforço do fundo muda a correlação de forças dentro da COP: pela primeira vez em uma conferência climática, um país do sul global lidera o maior fundo de mitigação do evento.
A medida também reforça a estratégia brasileira de diferenciar sua política florestal das de países que dependem de créditos de carbono sem políticas de controle territorial. O aporte da Noruega foi condicionado a metas verificáveis de redução de desmatamento até 2026 e auditorias anuais independentes.