Lula na Cúpula do Clima: “É hora de encarar a realidade e decidir se teremos coragem e determinação para transformá-la”
Nesta quinta-feira, primeiro dia da COP30, realizada pela primeira vez em território amazônico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou perante chefes de Estado, ministros e representantes de dezenas de países, afirmando que a conferência inaugura um novo paradigma para o enfrentamento da crise climática global. Para ele, a ciência deve guiar as políticas e o momento exige — mais do que promessas — coragem e determinação para transformar realidades consolidadas.
“Estou convencido de que, apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de mapas do caminho para, de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, afirmou o presidente.
Lula ressaltou que a Cúpula dos Líderes da COP30 não será apenas mais uma reunião diplomática:
“Esta Cúpula de Líderes é uma inovação que trazemos ao universo das COPs. As convergências já são conhecidas. Nosso objetivo será enfrentar as divergências. Provamos que a mobilização coletiva gera resultados. Por isso, a COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la.”
Segundo o presidente, o desafio exige que a agenda climática ocupe centralidade em todas as esferas de decisão: governos, empresas, sociedade civil e governos subnacionais.
“A participação da sociedade civil e o engajamento de governos subnacionais será crucial. Acelerar a transição energética e proteger a natureza são as duas maneiras mais efetivas de conter o aquecimento global.”
Dois descompassos que impedem o avanço
Lula apontou dois grandes obstáculos para o progresso climático global:
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A desconexão entre decisões diplomáticas e a realidade cotidiana dos territórios;
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O desalinhamento entre o contexto geopolítico e a urgência da crise climática.
“Forças extremistas fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais e aprisionar as gerações futuras a um modelo ultrapassado que perpetua disparidades sociais e econômicas e degradação ambiental. Rivalidades estratégicas e conflitos armados desviam a atenção e drenam os recursos que deveriam ser canalizados para o enfrentamento do aquecimento global. Enquanto isso, a janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente”, alertou.
Contexto e significado
Realizar a COP30 em Belém representa simbolicamente a escolha do Brasil por uma plataforma de protagonismo climático. O discurso de Lula materializa essa visão: ao mesmo tempo em que assume compromisso internacional, o país se posiciona como ator que reclama corresponsabilidade global. A ênfase na ciência e no “mapa do caminho” sinaliza que o governo busca escapar de uma narrativa meramente declaratória.
Expectativas e próximos passos
Com o discurso inaugurando a Cúpula, espera-se que nos próximos dias sejam anunciados planos de investimento, parcerias internacionais e mecanismos de financiamento climático em torno da Amazônia. A ação da sociedade civil, o papel dos estados e municípios e a interface entre políticas públicas e inovação tecnológica figuram entre os temas centrais.