Diabetes pode causar cegueira silenciosa e irreversível, alerta Conselho Brasileiro de Oftalmologia
O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns no Brasil, mas também uma das mais traiçoeiras. Ele pode roubar a visão sem apresentar nenhum sintoma nas fases iniciais. O alerta vem da Campanha 24 Horas pelo Diabetes, promovida pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que reforça a importância do diagnóstico precoce e dos exames oftalmológicos regulares.
Segundo o CBO, a retinopatia diabética — uma das principais complicações oculares do diabetes — já é a segunda maior causa de cegueira evitável no Brasil. Estima-se que mais de 7 milhões de brasileiros com diabetes tenham algum grau da doença ocular, mas metade desconhece o problema por falta de acompanhamento médico.
O perigo invisível da retinopatia diabética
A retinopatia diabética ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos da retina, tecido responsável pela formação das imagens. No início, o paciente não sente dor nem percebe alterações visuais, mas o dano é progressivo e pode se tornar irreversível se não for detectado a tempo.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, a doença é responsável por 15% dos casos de deficiência visual grave registrados no país.
O oftalmologista Harley Bicas, membro do CBO, explica que “o paciente diabético deve fazer o primeiro exame de fundo de olho logo após o diagnóstico e repeti-lo ao menos uma vez por ano”.
“A perda de visão causada pela retinopatia é silenciosa e irreversível. Quando os sintomas aparecem, o dano já está instalado”, reforça o especialista.
Dados que preocupam
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O Brasil tem cerca de 16,8 milhões de pessoas com diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD);
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Entre elas, 30% apresentam alterações na retina em algum estágio;
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O tratamento de um paciente com retinopatia avançada pode custar até R$ 10 mil por ano ao sistema público e privado;
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80% dos casos de cegueira por diabetes poderiam ser evitados com diagnóstico precoce e controle glicêmico.
Esses dados mostram que o problema não é apenas individual — trata-se de uma questão de saúde pública.
Diagnóstico e prevenção
O exame de fundo de olho (mapeamento de retina) é o principal método para detectar a retinopatia.
Em casos iniciais, o tratamento pode envolver controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial.
Nos casos mais avançados, é necessário uso de laser, injeções intraoculares ou cirurgia de vitrectomia.
O CBO reforça que o rastreamento deve começar cedo:
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Em diabéticos tipo 1, cinco anos após o diagnóstico;
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Em diabéticos tipo 2, logo após a descoberta da doença;
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Em gestantes diabéticas, ainda no primeiro trimestre.
“A campanha quer mudar a cultura da prevenção. O brasileiro vai ao oftalmologista quando enxerga mal, mas no diabetes é o contrário: deve ir antes que isso aconteça”, resume o médico Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier.
A importância da glicemia controlada
Manter a glicemia dentro dos limites normais reduz em até 60% o risco de desenvolver retinopatia diabética, segundo o estudo Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), referência mundial sobre o tema.
Além disso, atividade física regular, alimentação equilibrada e monitoramento constante são pilares da prevenção.
No Brasil, apenas 36% dos pacientes com diabetes fazem acompanhamento oftalmológico anual, de acordo com levantamento da Fiocruz.
A campanha 24 Horas pelo Diabetes
Realizada todos os anos em novembro, mês de conscientização global sobre o diabetes, a campanha do CBO mobiliza médicos, instituições e voluntários em mais de 200 cidades brasileiras.
Durante o evento, são oferecidos exames gratuitos de fundo de olho, palestras educativas e orientações sobre hábitos saudáveis.
Neste ano, o foco é o lema “Enxergue antes que o diabetes te cegue”. A ação integra o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, e inclui ações em capitais como São Paulo, Goiânia, Recife, Manaus e Porto Alegre.
“A cegueira por diabetes não é destino, é consequência da falta de acompanhamento”, afirma Cristiano Caixeta Umbelino, presidente do CBO.
Onde procurar atendimento
Pacientes com diagnóstico de diabetes podem realizar o rastreamento da retinopatia diabética pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em unidades básicas com serviço de oftalmologia.
O CBO mantém ainda uma lista de clínicas e mutirões regionais disponíveis durante o mês de novembro, publicada em seu portal oficial.
📍 Acesse a lista em: www.cbo.net.br
Conclusão
O diabetes é silencioso, mas seus efeitos sobre a visão podem ser devastadores.
A retinopatia diabética não causa dor, não apresenta sinais precoces e pode evoluir para cegueira total se não for tratada.
A mensagem da campanha é direta:
“Detectar cedo é enxergar o futuro antes que ele escureça.”