PF deflagra Operação Nêmesis no Tocantins e investiga desvio de recursos da Covid-19 e cestas básicas em Palmas e Santa Tereza

PF deflagra Operação Nêmesis no Tocantins e investiga desvio de recursos da Covid-19 e cestas básicas em Palmas e Santa Tereza
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 12 de novembro de 2025 33

Polícia Federal cumpre 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins; investigação mira suposto esquema de desvio de verbas da pandemia e obstrução à Justiça.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Nêmesis, com o objetivo de apurar crimes contra a administração da Justiça e tentativas de embaraço a investigações relacionadas a uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos destinados à Covid-19 e ao fornecimento de cestas básicas financiadas por emendas parlamentares no Tocantins.

De acordo com a corporação, 24 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estão sendo cumpridos nas cidades de Palmas e Santa Tereza do Tocantins. As investigações começaram após a 2ª fase da Operação Fames-19, deflagrada em setembro, quando surgiram indícios de que agentes públicos teriam usado cargos e veículos oficiais para retirar documentos e materiais de interesse da PF, com o intuito de ocultar provas e dificultar a apuração dos desvios.

Os alvos ainda não foram revelados oficialmente. O foco da operação é interromper a possível destruição de evidências e rastrear novos elementos sobre a atuação de servidores e empresários no esquema envolvendo o fornecimento de cestas básicas durante o período da pandemia. Segundo a PF, há indícios de que parte dos recursos públicos foi desviada por meio de contratos fraudulentos com empresas ligadas aos investigados.

A investigação tramita sob sigilo na Corte Especial do STJ, e todo o material apreendido será encaminhado para análise pericial.

Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início durante a deflagração da 2ª fase da Operação Fames-19, que afastou Wanderlei Barbosa no início de setembro, pelo prazo de 180 dias. A primeira-dama Karynne Sotero Campos, que era secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada. Os dois negam particiação nos fatos investigados.

A PF identificou indícios de que alguns investigados teriam se prevalecido de seus cargos e utilizado veículos oficiais para retirar e transportar documentos e materiais de interesse da investigação. Isso causou embaraço às investigações, que ainda se encontram em curso e tramitam sob sigilo na Corte Especial do STJ.

Segundo a Assembleia Legislativa do Tocantins , por meio de nota não houve mandados desta operação na sede do Poder Legislativo.

Governador, Wanderlei Barbosa é alvo da PF por suspeita de atrapalhar investigações sobre desvio de cestas  e durante a operação alguns aparelhos telefônicos teriam sido levados.

O Governo do Tocantins e os envolvidos nas investigações ainda não se manifestaram publicamente. O Diário Tocantinense mantém o espaço aberto para esclarecimentos e direito de resposta.

Em nota o Governador Wanderlei Barbosa recebeu com estranheza mais uma operação da Polícia Federal ao mesmo tempo que aumenta a expectativa pelo julgamento do Habeas Corpus que pode devolvê-lo ao cargo.

Ao mesmo tempo reitera a sua disponibilidade para colaborar com as investigações e mantém a sua confiança na justiça e nas instituições.

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