Editorial: Machismo político: o jogo sujo que tenta afastar as mulheres do poder

Editorial: Machismo político: o jogo sujo que tenta afastar as mulheres do poder
Crédito: Agência Senado
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de novembro de 2025 14

As eleições ainda nem começaram oficialmente, mas o machismo já entrou em campanha. Antes mesmo do início da disputa, o que vemos é um roteiro antigo: ataques direcionados às mulheres que ousam sonhar e trabalhar por um lugar de liderança. Em vez de enfrentarem suas ideias, alguns preferem questionar suas condições de gênero. Em vez de debater propostas, recorrem a insultos disfarçados de “opinião”.

É o mesmo enredo de sempre: quando uma mulher decide ocupar espaços historicamente dominados por homens, o incômodo é imediato. Não é raro ouvirmos absurdos como “quem vai governar é o marido”. Uma frase que escancara o medo e o preconceito de quem ainda não aceita ver mulheres comandando governos, chefiando equipes ou tomando decisões que transformam realidades. É uma tentativa desesperada de reduzir o protagonismo feminino a uma sombra, de colocar novamente a mulher no papel de coadjuvante.

Mas não se trata apenas de grosseria. É violência política de gênero, uma forma perversa de tentar afastar as mulheres da arena pública, de silenciá-las e desmotivá-las. Esse tipo de ataque não fere apenas uma candidata: atinge todas as mulheres que lutam por igualdade e enfraquece a própria democracia, que depende da diversidade de vozes para ser plena.

Está mais do que na hora de virar esse jogo. Mulheres na política não estão “testando limites”, estão ampliando horizontes. São lideranças capazes, preparadas e determinadas a construir uma política mais humana, mais justa e mais comprometida com o bem comum.

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