Exclusivo: Estudo revela cinco anos de COVID-19 no Tocantins e aponta vacinação como responsável por reduzir mortes em mais de 90%

Exclusivo: Estudo revela cinco anos de COVID-19 no Tocantins e aponta vacinação como responsável por reduzir mortes em mais de 90%
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 14 de novembro de 2025 80

Um estudo inédito, realizado por pesquisadores do Tocantins e de instituições de outros estados, analisou cinco anos da pandemia de COVID-19 no estado e revelou como a evolução das variantes e a vacinação alteraram profundamente o impacto do vírus entre 2020 e 2025. O trabalho, intitulado “Cinco anos de COVID-19 no Tocantins”, será publicado na revista científica Viruses.

A pesquisa reúne nomes como Olivia de Souza da Conceição, Ueric José Borges de Souza, Franciano Dias Pereira Cardoso (Lacen-TO), Bergmann Ribeiro, Gil Rodrigues dos Santos (UFT Gurupi), Renisson Neponuceno de Araújo Filho, Marcos G. Silva (UFT Gurupi), Fernando Spilki e Fabrício Souza Campos, entre outros cientistas brasileiros.

Pico da crise ocorreu em 2021

Segundo o estudo, o Tocantins enfrentou diferentes fases da pandemia. A situação mais grave ocorreu em 2021, durante a circulação das variantes Gamma e Delta, quando o sistema de saúde estadual chegou ao limite. Foi nesse período que o estado registrou seu maior número de mortes e internações.

Virada veio com a vacinação

A partir de 2022, com a chegada da variante Omicron, o número de casos atingiu recordes, mas sem aumento proporcional de mortes. Isso ocorreu, segundo os autores, devido à imunidade acumulada, ao avanço da vacinação e ao melhor preparo da rede hospitalar.

O levantamento mostra que a vacinação reduziu hospitalizações e óbitos em mais de 90%, gerando um “desacoplamento” entre número de casos e gravidade — um marco da mudança para um cenário de endemicidade.

Tocantins foi corredor de variantes

Entre 2020 e 2025, o estado sequenciou 3.941 genomas do SARS-CoV-2 e identificou 166 linhagens diferentes. Segundo os pesquisadores, o Tocantins funcionou como um corredor estratégico de circulação viral, conectando as regiões Norte e Centro-Oeste.

O estudo mapeia toda a substituição de variantes ao longo dos anos — das primeiras linhagens registradas, passando por Gamma, Delta e a família Omicron, até chegar à predominância da linhagem LP.8.1.4 em 2025.

Municípios mais representados

Palmas, por concentrar hospitais, laboratórios e maior população, registrou a maior quantidade de sequenciamentos. Gurupi, Porto Nacional, Araguaína e Paraíso também tiveram participação significativa. Já municípios menores apresentaram menor volume de dados, reflexo de limitações estruturais e logísticas.

Desigualdades marcaram os anos mais críticos

A pesquisa reforça que as maiores taxas de mortalidade se concentraram entre idosos, homens e populações vulneráveis. Grupos indígenas, comunidades rurais e moradores de áreas remotas foram os mais afetados na fase inicial, quando o acesso à assistência e testagem era restrito.

Conclusão: vacinação e vigilância genômica são fundamentais

O estudo aponta que o Tocantins vive hoje um cenário de circulação viral estável e baixa mortalidade, mas alerta que isso só foi possível graças à ampla cobertura vacinal e ao monitoramento contínuo das variantes.

Os autores defendem que:

  • A vacinação segue sendo a principal ferramenta de proteção coletiva;

  • A vigilância genômica precisa ser mantida, sobretudo em estados que funcionam como corredores de circulação viral;

  • A desigualdade no acesso à saúde deve ser observada para evitar novos surtos graves em grupos vulneráveis.

O trabalho é considerado uma das análises mais completas já produzidas sobre o comportamento da COVID-19 em um estado brasileiro ao longo de toda a pandemia.

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