Nordeste intensifica protagonismo e leva propostas estruturantes para a COP30

Nordeste intensifica protagonismo e leva propostas estruturantes para a COP30
Felipe Muniz PalhanoPor Felipe Muniz Palhano 17 de novembro de 2025 6

A COP30, sediada em Belém (PA), marca um momento decisivo para o Brasil no cenário climático internacional. A presença da conferência em plena Amazônia ampliou o foco global sobre o país, mas o governo federal reforça que a agenda vai além do bioma amazônico. Em declaração recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembrou que a proteção ambiental depende também de outros cinco biomas brasileiros — Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa — igualmente fundamentais para o equilíbrio climático.

Com essa perspectiva, a preparação para a COP30 foi conduzida como uma ação nacional, envolvendo estados e municípios em debates e estratégias conjuntas. A diretriz central foi posicionar o Brasil como um todo no centro das negociações internacionais.

NORDESTE ESTRUTURA AÇÕES ESTRATÉGICAS – Entre as regiões mais mobilizadas, o Nordeste consolidou uma atuação coordenada por meio do Consórcio de Governadores. Em setembro, representantes dos nove estados se reuniram em Fortaleza, no Centro de Eventos do Ceará, ao lado de integrantes do Ministério da Fazenda. O encontro resultou na entrega da Carta Compromisso pela Transformação Ecológica do Nordeste, documento que reafirma a liderança regional em transição energética, bioeconomia e desenvolvimento sustentável, alinhado ao Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil.

O texto estabelece prioridades que incluem ampliação das energias renováveis, fortalecimento da agricultura familiar, incentivo à economia circular, preservação da biodiversidade e investimento em soluções que assegurem a disponibilidade hídrica. A Carta também apresenta a Estratégia Brasil Nordeste, criada para organizar iniciativas regionais e torná-las compatíveis com os objetivos climáticos discutidos na COP30.

Sávia Gavazza, gerente de projetos da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho de Administração do Banco do Nordeste, destacou que a iniciativa representa uma agenda de longo alcance. Segundo ela, o Plano de Transformação Ecológica combina crescimento econômico, inovação tecnológica e redução das desigualdades, projetando o Nordeste como protagonista de seu próprio desenvolvimento.

Ela também enfatizou a relevância do adensamento tecnológico, defendendo investimentos em infraestrutura científica, parcerias com centros de pesquisa e estímulos à inovação como pilares para fortalecer cadeias produtivas com maior valor agregado.

DEMANDA RECORDE POR PROJETOS VERDES – A aposta regional em uma economia sustentável ganha força com a Chamada de Projetos para Neoindustrialização do Nordeste, ligada ao Programa Nova Indústria Brasil (NIB), executado pela Sudene. A iniciativa atraiu R$ 127,8 bilhões em propostas — quase 13 vezes acima da previsão inicial — envolvendo empresas de todos os estados nordestinos. Os projetos contemplam áreas estratégicas como hidrogênio verde, bioeconomia e infraestrutura tecnológica sustentável, reforçando o potencial da região para gerar inovação e empregos qualificados.

A COP É AQUI: PARTICIPAÇÃO SOCIAL AMPLIADA – Paralelamente, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima buscou aproximar a população brasileira do debate sobre mudanças climáticas. A iniciativa “A COP é Aqui”, realizada antes do início da conferência, promoveu atividades em todas as regiões do país, incentivando escolas, organizações comunitárias, instituições públicas e coletivos a realizarem encontros e discussões sobre a agenda climática.

A ação disponibilizou materiais educativos e audiovisuais distribuídos em três eixos: os cadernos “Nós no clima da mudança”, desenvolvidos com apoio do Cemaden; o Balanço Ético Global, que orienta diálogos autogestionados; e a Mostra Circuito Tele Verde Ecofalante, com vídeos voltados a escolas e espaços culturais.

Com articulação institucional, engajamento social e uma agenda robusta de inovação, o Nordeste chega à COP30 reafirmando seu papel estratégico na construção de um Brasil mais sustentável e protagonista no enfrentamento às mudanças climáticas.

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