Saúde: Por que tantos jovens estão tomando remédio para pressão? Especialistas alertam para aumento preocupante

Saúde: Por que tantos jovens estão tomando remédio para pressão? Especialistas alertam para aumento preocupante
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 18 de novembro de 2025 13

O número de jovens brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial deixou de ser exceção e parece ganhar contornos de tendência. Cardiologistas e especialistas em saúde pública relatam que consultórios e ambulatórios recebem cada vez mais pacientes entre 18 e 35 anos com pressão elevada e já iniciando tratamento farmacológico.

Embora a hipertensão tenha sido historicamente associada ao envelhecimento, os médicos afirmam que mudanças no estilo de vida — sedentarismo, dieta rica em sódio, excesso de telas, privação de sono e sobrecarga emocional — estão antecipando diagnósticos.

Estilo de vida digital, sono irregular e ansiedade sustentada

O cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho, diretor do Incor, já afirmou em entrevistas ao Fantástico e à Folha de S.Pauloque os hábitos contemporâneos criaram um “ambiente propício” para doenças cardiovasculares mais cedo. Segundo ele, a tríade sono ruim, estresse crônico e sedentarismo coloca jovens em um ciclo de risco contínuo.

A médica nutróloga e cardiologista Dra. Ludhmila Hajjar, em entrevista ao Jornal Nacional, reforça que o excesso de telas está diretamente relacionado a alterações no ritmo circadiano, piora do sono e ativação prolongada de hormônios que elevam a pressão.

O cardiologista e professor da USP Dr. Daniel Magnoni, em entrevista ao Bem Estar, destaca que jovens estão consumindo níveis de sódio muito acima do recomendado — principalmente por fast-food, embutidos, snacks e refeições prontas. Segundo ele, a dieta atual “é perfeita para desenvolver hipertensão precoce”.

O aumento do sedentarismo aparece como um dos principais gatilhos

O cardiologista esportivo Dr. Nabil Ghorayeb, referência na Sociedade Brasileira de Cardiologia, afirmou em entrevistas ao Globo Esporte que adolescentes e jovens adultos estão se movimentando menos do que qualquer geração anterior, e isso altera diretamente o controle da pressão arterial.

A cardiologista Dra. Ana Clara Tude, em entrevistas para veículos do grupo Globo, explica que longos períodos sentados reduzem o gasto energético diário, elevam o peso corporal e comprometem o sistema cardiovascular.

Medicalização precoce preocupa: “o remédio não corrige o estilo de vida”

O cardiologista Dr. César Jardim, do Hospital do Coração (HCor), já alertou em entrevistas ao G1 e ao Estadão que cresce o número de pacientes jovens que procuram o consultório após já terem iniciado anti-hipertensivos. Ele afirma que a medicalização precoce “não é o problema em si”, mas revela que muitos jovens pulam etapas fundamentais como:

  • reorganizar rotina de sono,

  • reduzir o consumo de ultraprocessados,

  • abandonar o sedentarismo,

  • e controlar estresse e ansiedade.

O risco, segundo ele, é que a medicação ofereça uma falsa sensação de resolução, enquanto os fatores de base continuam ativos.

A cardiologista Dra. Juliana Amaral, entrevistada pela Folha, afirma que em muitos casos a hipertensão em jovens “não deveria ser medicada imediatamente”, mas monitorada em conjunto com mudança de hábitos. Ela destaca que há pacientes que normalizam a pressão em poucas semanas apenas com ajustes na rotina.

Predisposição genética existe — mas não explica o aumento sozinha

Especialistas reforçam que histórico familiar é um componente importante, mas não atua isoladamente.
O cardiologista e pesquisador Dr. Marcelo Katz, do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou em entrevista ao Globoque a genética “abre a porta”, mas o ambiente moderno — alimentação ultraprocessada, excesso de trabalho mental, demanda social alta e sedentarismo — “empurra o jovem para dentro do risco”.

Obesidade e ganho de peso acelerado são marcadores centrais

O pediatra e hebiatra Dr. Maurício Sesso, entrevistado pelo Fantástico, alerta que adolescentes estão chegando à idade adulta com índices de sobrepeso muito superiores aos registrados há duas décadas. Ele afirma que o acúmulo de gordura abdominal é um dos fatores que mais alteram a pressão arterial antes dos 30 anos.

O que fazer? Especialistas apontam caminhos

Os médicos consultados por diversos veículos convergem em quatro pontos:

1. Mudar a alimentação

Cortar:

  • ultraprocessados,

  • embutidos,

  • fast-food,

  • alimentos com muito sal.

Incluir:

  • frutas,

  • hortaliças,

  • grãos integrais,

  • proteínas magras.

2. Dormir melhor

A meta é 7 a 9 horas contínuas por noite, com horários regulares.

3. Sair do sedentarismo

150 minutos de atividade moderada por semana — caminhada, bike, natação, musculação — já reduzem a pressão.

4. Controlar estresse e ansiedade

Técnicas de respiração, meditação, pausas programadas e acompanhamento psicológico entram como ferramentas essenciais.

A pressão alta virou um alerta sobre o modo de vida

O crescimento da hipertensão entre jovens não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de uma rotina profundamente afetada por:

  • cargas mentais intensas,

  • excesso de telas,

  • sono irregular,

  • comida rápida e hiperprocessada,

  • pouca atividade física,

  • e ansiedade constante.

Os médicos reforçam que, embora o remédio tenha papel importante, nenhuma medicação substitui um estilo de vida que proteja o coração.
E o aumento dos diagnósticos antes dos 30 anos acende um alerta para toda a sociedade.

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