Operação da PF avança: BRB, que atua no Tocantins, entra no centro de suspeitas após denúncias de contas abertas sem consentimento

Operação da PF avança: BRB, que atua no Tocantins, entra no centro de suspeitas após denúncias de contas abertas sem consentimento
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de novembro de 2025 43

A operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afastou a cúpula do Banco de Brasília (BRB) teve novos desdobramentos que agora alcançam diretamente o Tocantins. Além das suspeitas de fraude envolvendo títulos financeiros sem lastro, servidores públicos tocantinenses relatam ter descoberto contas abertas em seus nomes sem autorização, usando o BRB como instituição intermediária.

O caso amplia o alcance da investigação, que já questiona a regularidade de ativos, o fluxo de operações financeiras e a atuação de bancos parceiros em diferentes estados.

BRB é citado no inquérito como possível receptor de ativos irregulares

O BRB, que atua no Tocantins por meio de convênios, serviços consignados e parcerias financeiras, aparece no inquérito como possível receptor ou negociador de ativos emitidos pelo Banco Master.

Segundo a PF, parte desses ativos seriam títulos sem lastro, utilizados para operações financeiras de alto risco, mascaradas como transações legítimas.

A Justiça Federal determinou o afastamento por 60 dias do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Júnior, como medida cautelar. A decisão visa impedir interferência, destruição de provas e qualquer influência sobre auditorias internas.

Os dois executivos não foram presos, mas estão proibidos de atuar no banco enquanto as investigações avançam.

Servidores públicos do Tocantins relatam contas abertas sem consentimento

Paralelamente, servidores do Tocantins relatam terem encontrado contas abertas em seus nomes no BRB sem que tivessem solicitado ou assinado adesão. Alguns relatos incluem contas associadas a serviços consignados, habilitadas para movimentações automáticas ou vinculadas a margens de crédito que os servidores afirmam não ter contratado.

Os indícios apontados incluem:

  • abertura digital de contas sem biometria ou confirmação do titular;

  • movimentações ligadas a margens consignáveis;

  • contratos e autorizações que os servidores dizem não reconhecer;

  • uso indevido de dados pessoais para justificar operações financeiras.

As denúncias circulam entre diferentes categorias do serviço público e já foram encaminhadas a órgãos de controle e entidades representativas.

Os relatos aumentam a preocupação de investigadores porque podem indicar uso irregular de dados pessoais para legitimar operações financeiras conectadas ao esquema nacional em apuração.

PF investiga possível ligação entre contas irregulares e carteiras de crédito fraudulentas

Na operação principal, a PF apura se o Banco Master teria produzido carteiras de crédito fraudulentas e as utilizado para gerar lastro artificial, repassando os títulos a outras instituições, entre elas o BRB.

A investigação também mira:

  • auditoria completa nas operações entre Banco Master, BRB e intermediários;

  • quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático;

  • análise de contratos internos e fluxos de aprovação de crédito;

  • suspeita de crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e operação irregular de crédito.

Documentos apreendidos apontam risco bilionário ao sistema financeiro, considerando o volume de ativos que teriam sido mascarados como operações regulares.

Impacto institucional e pressão sobre governança pública

Como o BRB é controlado pelo Governo do Distrito Federal, a crise pressiona a governança da instituição e expõe falhas de compliance, análise de risco e monitoramento interno.

Entre os pontos analisados pelos investigadores estão:

  • como o BRB aprovou a compra ou intermediação de ativos do Banco Master;

  • quem autorizou as operações sob investigação;

  • se houve influência política sobre decisões financeiras;

  • se houve negligência na validação de contas abertas digitalmente;

  • se parcerias firmadas em estados como o Tocantins passaram por auditoria adequada.

Se confirmadas as irregularidades envolvendo contas abertas sem consentimento, o caso poderá abrir uma nova linha de investigação criminal e administrativa.

Operação segue sob sigilo; novos desdobramentos são considerados prováveis

A Polícia Federal mantém a operação sob sigilo. A complexidade das ligações financeiras e o envolvimento de instituições públicas elevam as chances de novas fases, que podem incluir:

  • prisões preventivas;

  • afastamentos adicionais em instituições parceiras;

  • ampliação de perícias sobre carteiras de crédito;

  • investigações estaduais complementares, incluindo o Tocantins.

O Diário Tocantinense abre espaço para manifestação do BRB, de servidores afetados, dos citados na investigação e das autoridades envolvidas.

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