Funcionária de padaria vira “garantidora” de negócio bilionário do BRB; MPF vê fraude estruturada

Funcionária de padaria vira “garantidora” de negócio bilionário do BRB; MPF vê fraude estruturada
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 20 de novembro de 2025 55

Documentos da investigação da Operação Compliance Zero revelam que o próprio presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa — atualmente afastado do cargo por decisão judicial — afirmou ter adquirido R$ 8 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master ao longo de 2024. O conteúdo entregue ao Ministério Público Federal mostra que, ao solicitar verificação ao Banco Central, foram identificadas situações que apontam para fraude nas garantias apresentadas.

De acordo com o MPF, uma das empresas usadas como garantidora das operações bilionárias estava registrada no nome de uma funcionária de uma padaria, que recebe menos de R$ 1.500 por mês. A mulher vive em uma casa sem reboco e sem pintura, na periferia de São Paulo, e jamais teria condições financeiras ou empresariais para assumir garantia de tamanho vulto.

A empresa, THE PAY Soluções de Pagamentos LTDA, aparece tendo essa funcionária como sócia-administradora e representante legal, apesar de não existir compatibilidade econômica, técnica ou patrimonial para a função. Para o Ministério Público Federal, trata-se de um dos indícios mais contundentes de fraude estruturada.

Em trecho do documento, o MPF afirma: “Os indícios de falsidade e fraude nos documentos apresentados ao Banco Central pela diretoria do BRB são veementes, com elementos que sugerem produção forjada e anterior às operações, tudo com o objetivo de ludibriar a fiscalização bancária.”

O órgão segue afirmando que a postura do banco reforça a suspeita de dolo:
“A circunstância de a direção do BRB, mesmo ciente da insubsistência das carteiras cedidas, não ter solicitado a devolução dos valores repassados demonstra a intenção deliberada de manter a operação, indicando participação consciente dos envolvidos.”

As investigações apontam que a soma total das transações sob suspeita pode chegar a R$ 12,2 bilhões, envolvendo empresas de fachada, documentos falsificados e operações que se estenderam por todo o ano de 2024.

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