COP sem acordo sobre fósseis acende alerta climático global

COP sem acordo sobre fósseis acende alerta climático global
Belém, porta de entrada da Amazônia, se prepara para receber a COP30 e ser o centro das discussões climáticas globais em 2025
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de novembro de 2025 7

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP – 30) encerrou sem acordo sobre combustíveis fósseis, apesar de pressões de cientistas, de países vulneráveis e da própria ONU para uma decisão clara sobre a eliminação gradual do petróleo, gás e carvão. O resultado acendeu um alerta climático global, com novos dados indicando probabilidade crescente de aquecimento acima de 1,5°C, limite definido pelo Acordo de Paris.

O impasse surgiu diante da resistência explícita de Arábia Saudita, Rússia, Irã e de outros exportadores de petróleo em aceitar a expressão “phase-out” — eliminação progressiva dos fósseis. Já Estados Unidos, União Europeia, nações insulares e grande parte da África defenderam a adoção do termo, alinhado ao consenso científico. A China apoiou menções mais vagas, como “redução das emissões”, evitando compromisso direto com o fim dos fósseis.

Segundo avaliação consolidada do IPCC, a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C exige cortes globais de cerca de 43% das emissões até 2030 e mais de 60% até 2035, parâmetros já considerados defasados diante da escalada recente de eventos extremos. Estudos apresentados na conferência apontam que, no cenário atual, o planeta ultrapassa 1,5°C antes de 2035 e se aproxima de 2,5°C a 3°C até 2100, caso não haja revisão profunda nas políticas energéticas.

Para o Brasil, o fracasso em fechar um acordo sobre fósseis tem duplo impacto. De um lado, fortalece o discurso diplomático do país — que tenta se posicionar como mediador climático — e amplia a visibilidade da pauta amazônica. De outro, pressiona o governo a explicar como pretende conciliar expansão do pré-sal com metas de descarbonização. Na conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “não existe transição sem justiça climática” e defendeu responsabilidade diferenciada entre países ricos e emergentes, mas evitou compromissos concretos sobre novos limites para a exploração de petróleo.

No Tocantins, especialistas ouvidos por pesquisadores locais destacam que a ausência de um acordo acelera riscos diretos para o estado, onde temperaturas já sobem acima da média nacional e secas prolongadas ampliam vulnerabilidade hídrica e agrícola. Pesquisadores argumentam que o semiárido tende a sofrer antecipadamente os efeitos de um planeta mais quente.

A ONU informou que, apesar do impasse, o tema volta à mesa no próximo ciclo de negociações, com elaboração acelerada de relatórios técnicos e novas rodadas sobre financiamento climático. A avaliação interna é que o fracasso em pactuar o fim dos fósseis dificulta o planejamento da transição energética global, mas não encerra a possibilidade de um acordo futuro.

O resultado da conferência, considerada estratégica para revisar trajetórias de emissões, reforça a distância entre o consenso científico e a política internacional. Sem acordo robusto, o alerta climático global permanece aceso e pressiona governos a apresentar respostas mais rápidas — dentro e fora da COP.

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