“Mercado firme, exportação recorde e boi a R$ 302 no Tocantins”, diz Felipe Fabrri no Quinta do Agro
O analista de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabrri, participou do quadro Quinta do Agro, do Diário Tocantinense, trazendo um panorama completo sobre o desempenho do boi gordo no Tocantins e em todo o Brasil. Segundo ele, o setor encerra novembro em um dos momentos mais firmes do ano, impulsionado por exportações recordes, demanda interna aquecida e oferta mais compassada em algumas regiões.
Felipe iniciou destacando que o mercado do boi gordo ganhou grande visibilidade nas últimas semanas, primeiro com notícias negativas e, logo depois, com uma sequência de informações muito positivas para o produtor.
Cotações no Tocantins: estabilidade e firmeza
Segundo Fabrri, o mercado tocantinense manteve preços firmes ao longo de novembro tanto no norte quanto no sul do estado. O boi destinado ao mercado interno e à exportação negociou de forma estável:
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Boi gordo: R$ 302/@
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Vaca gorda: entre R$ 285 e R$ 287/@, conforme região, proximidade e qualidade do lote
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Novilha gorda: entre R$ 290 e R$ 292/@
Ele reforça que, entre as 33 praças monitoradas pela Scott Consultoria, o cenário foi de firmeza generalizada ao longo do mês, com apenas ajustes pontuais.
Exportações puxam o mercado para cima
O principal vetor de alta, segundo Fabrri, é o desempenho recorde das exportações brasileiras. Outubro registrou o maior volume já embarcado para um único mês, e novembro caminha para repetir — e possivelmente superar — o recorde, com 17 mil toneladas de carne bovina in natura exportadas por dia.
Se o ritmo for mantido até o fechamento do mês, novembro deve ultrapassar as 320 mil toneladas embarcadas em outubro, consolidando 2025 como um dos anos mais positivos para a cadeia da bovinocultura brasileira.
Demanda interna reforça a firmeza
Além do mercado externo, a demanda interna também contribuiu.
Felipe explica que a primeira parcela do 13º salário, o recebimento de salários no início do mês e o aumento dos empregos temporários de fim de ano fortaleceram o consumo interno de carne bovina.
Esse conjunto de fatores, somado ao aquecimento internacional, sustentou a firmeza das cotações.
Oferta mais curta no Tocantins
Fabrri observa que no Tocantins há sinais de uma oferta um pouco mais enxuta — não exatamente esgotada, mas mais compassada. Essa característica, aliada à demanda aquecida, reforça o viés de alta para os preços neste final de novembro e início de dezembro.
Mercado reage bem após preocupações com a China
O consultor também destacou que o início de novembro foi marcado por tensão devido:
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a resíduos acima do permitido do fármaco Flurazuron em cargas enviadas à China;
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à proximidade do fim do período de investigação de salvaguarda iniciado em dezembro de 2024.
Circulou nas redes um documento com possíveis restrições chinesas, mas nenhuma informação era oficial.
No dia 25 de novembro, o governo chinês comunicou oficialmente a prorrogação da decisão para 26 de janeiro de 2026, evitando qualquer impacto imediato no fluxo das exportações brasileiras. Para Felipe, isso foi extremamente positivo para o produtor.
EUA retiram sobretarifas sobre a carne brasileira
Outro ponto relevante, segundo Fábrri, foi a retirada das sobretarifas impostas pelos Estados Unidos. O país vinha cobrando até 50% de tarifa sobre a carne bovina brasileira — percentual que caiu para 40% e, desde 20 de novembro, voltou ao patamar normal, em torno de 26%. A partir de janeiro, a taxa deve cair ainda mais, para algo próximo de 4% ao mês.
A medida fortalece ainda mais o cenário positivo para as exportações.
Perspectiva
Felipe Fábrri encerrou afirmando que o momento é favorável e deve permanecer firme para o início de dezembro, tanto no Tocantins quanto no restante do país. A soma de exportações aquecidas, demanda interna forte e menor oferta tende a manter o mercado sustentado.
Ele reforçou o convite para que produtores e interessados acompanhem diariamente os conteúdos da Scot Consultoria.
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