Faculdade de Colinas pede apoio urgente da Prefeitura e disputa por sede própria expõe 32 anos de crise estrutural no ensino superior do Norte do Tocantins

Faculdade de Colinas pede apoio urgente da Prefeitura e disputa por sede própria expõe 32 anos de crise estrutural no ensino superior do Norte do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 28 de novembro de 2025 75

Os acadêmicos do curso de Direito Rafael Lima e Júlio César protocolaram, no dia 26 de novembro de 2025, um requerimento coletivo solicitando à Prefeitura de Colinas do Tocantins a cessão imediata de uma estrutura física adequada e a doação de um terreno para construção da sede própria da Faculdade de Colinas. O documento foi entregue oficialmente ao Executivo municipal com centenas de assinaturas de alunos, professores, familiares e egressos, evidenciando a dimensão comunitária da demanda.

A mobilização reacende uma discussão antiga sobre o papel da instituição no desenvolvimento do município e os impactos de decisões administrativas tomadas ao longo das últimas décadas. A Faculdade de Colinas, criada em 1993, funcionou desde sua implantação em prédio cedido pelo poder público local. O espaço, segundo os estudantes, estava vinculado ao ensino superior da cidade, mas teria sido posteriormente retomado pelo município por meio de despejo e, na sequência, doado à UNIRG, sediada em Gurupi. A mudança deixou a instituição fundada em Colinas sem sede definitiva e sem condições adequadas para manter suas atividades acadêmicas.

Representando a comunidade acadêmica, Rafael Lima classificou o pedido como um chamado por dignidade, e não como reivindicação corporativa. Para ele, o ensino superior local tem uma história sólida, mas enfrenta abandono estrutural. “A Faculdade de Colinas tem 32 anos de história. Ela formou advogados, professores, contadores, empreendedores e servidores públicos que hoje atuam em toda a região. Não estamos pedindo privilégio. Estamos pedindo respeito. Depois de tudo que a Faculdade contribuiu, não é justo que fique sem um espaço digno para funcionar”, afirmou.

Júlio César, também acadêmico de Direito, reforçou que o pleito é urgente para garantir permanência e qualidade do ensino. “Nós representamos aqui não só os alunos, mas famílias inteiras que investem tempo e dinheiro na educação. Uma faculdade sem sede própria perde força, perde identidade e coloca em risco o ensino superior local. A Prefeitura precisa olhar para essa causa. É um pedido justo, urgente e necessário.”

A instituição tem papel histórico no Norte do Tocantins, movimentando a economia local, atraindo estudantes de cidades vizinhas, mantendo empregos diretos e indiretos e contribuindo para o desenvolvimento urbano e intelectual de Colinas. O requerimento entregue à Prefeitura afirma que a Faculdade “merece apoio e respeito pela sua trajetória e pela contribuição direta ao crescimento da cidade”.

O Diário Tocantinense, entrou em contato com a Prefeitura de Colinas buscando esclarecimentos sobre a situação da estrutura anteriormente ocupada pela faculdade. Foram solicitadas informações sobre o motivo da doação do imóvel à UNIRG, a possibilidade de cessão de prédio provisório ao ensino superior e o posicionamento do Executivo sobre a doação de terreno para construção da sede própria.

A gestão municipal ainda não enviou resposta oficial. A nota será incluída assim que houver manifestação da Prefeitura.

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