Pesquisa alerta: álcool nas festas de fim de ano aumenta risco de intoxicação em jovens e idosos; OMS reforça que “não existe dose segura”
Com o aumento das confraternizações de dezembro, especialistas reforçam o alerta sobre o consumo excessivo de álcool. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe dose totalmente segura e que os limites diários recomendados — uma dose para mulheres e duas para homens — não podem ser acumulados para o fim de semana. A prática, comum nas festas de fim de ano, eleva o risco de intoxicação e danos hepáticos.
De acordo com a pesquisadora e professora Fernanda Albuquerque, doutora em Ciência da Nutrição, os efeitos do álcool variam conforme a idade e são mais intensos em jovens e idosos. “Jovens têm o fígado imaturo e se embriagam com menores quantidades”, afirma. No caso dos idosos, o risco é ampliado pela menor quantidade de água no corpo e pela metabolização mais lenta. “A mesma dose ingerida por um adulto causa efeitos mais fortes no idoso”, explica a especialista, destacando o aumento do risco de quedas, confusão mental e interações medicamentosas.
O álcool é absorvido rapidamente pelo trato gastrointestinal e metabolizado pelo fígado, gerando acetaldeído, substância tóxica associada a náuseas, vômitos, tontura e mal-estar. O consumo elevado também irrita a mucosa gástrica, aumenta a acidez estomacal e favorece o acúmulo de gordura no fígado, podendo evoluir para esteatose hepática alcoólica, hepatite alcoólica e cirrose. Em casos extremos, pode levar à sonolência profunda, perda de consciência e coma alcoólico.
Outro efeito comum durante festas é a desidratação, causada pela inibição do hormônio antidiurético, o que aumenta a eliminação de líquidos e contribui para a ressaca.
A OMS reforça que acumular o consumo semanal em um único dia aumenta a sobrecarga hepática e potencializa danos ao organismo. Segundo especialistas, essa prática está entre as principais causas de casos de intoxicação registrados em períodos festivos.
A recomendação é que gestantes, lactantes, menores de idade, pessoas com doenças hepáticas ou pancreáticas, pacientes em uso de medicação controlada e indivíduos com transtornos psiquiátricos evitem completamente o consumo de álcool. Para os demais, a orientação é de moderação e atenção aos sinais do corpo durante o período de festas. (Texto adaptado de Thiago Alonso)