Contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com escritório ligado à esposa de Moraes reaparece em documentos apreendidos pela PF

Contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com escritório ligado à esposa de Moraes reaparece em documentos apreendidos pela PF
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 10 de dezembro de 2025 14

Documentos apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações sobre a liquidação do Banco Master voltaram a colocar em evidência um contrato de R$ 129 milhões, firmado pela instituição financeira com o escritório da advogada Viviane de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A existência do contrato veio à tona após análise do celular do controlador do banco, Daniel Vorcaro, preso no âmbito das apurações.

O documento previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, ao longo de 36 meses, para a prestação de serviços jurídicos de natureza ampla. Segundo reportagens publicadas em veículos nacionais, o contrato não detalhava processos específicos, descrevendo apenas que o escritório atuaria “quando necessário”. Essa característica gerou questionamentos técnicos sobre a estrutura e o valor do acordo, em comparação com práticas usuais no mercado jurídico.

A reaparição do contrato ocorre simultaneamente às apurações sobre um rombo financeiro que levou o Banco Central a determinar a liquidação extrajudicial do Master. No contexto da intervenção, há incerteza sobre o volume efetivamente pago ao escritório, uma vez que o banco deixou de cumprir diversas obrigações após o avanço da crise. Até o momento, não há confirmação pública de que o valor integral tenha sido repassado.

O caso gerou repercussão política imediata. Parlamentares de diferentes espectros defenderam a necessidade de acesso público a informações sobre contratos firmados por instituições financeiras sob investigação. Especialistas em governança e compliance consultados pela imprensa afirmam que o episódio reforça debates sobre a importância de mecanismos mais robustos de transparência para contratos de grande porte envolvendo empresas reguladas e escritórios jurídicos ligados a autoridades públicas.

Até o momento, não existe investigação formal contra o ministro Alexandre de Moraes nem contra sua esposa. A atuação do escritório é independente, e não há indicação de que o ministro tenha relação com o contrato. Pessoas próximas ao gabinete do ministro informaram, por meio da imprensa, que a atividade profissional de Viviane segue parâmetros legais e éticos aplicáveis à advocacia.

A discussão, porém, permanece relevante no ambiente institucional. A soma de três elementos — liquidação do banco, contrato de alto valor e documentos recuperados pela PF — reacendeu reflexões sobre governança corporativa, risco reputacional e necessidade de aprimoramento das regras que regem contratações entre entidades privadas e escritórios vinculados a familiares de agentes públicos.

Enquanto as investigações financeiras envolvendo o Banco Master continuam, o contrato seguirá sob escrutínio público por representar um ponto de interseção sensível entre o setor financeiro, o mercado jurídico e a esfera institucional.

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