Petrobras cortou preços, mas combustível segue caro no Tocantins; entenda onde o dinheiro fica

Petrobras cortou preços, mas combustível segue caro no Tocantins; entenda onde o dinheiro fica
Posto de combustível no Brasil, onde os preços do diesel mantêm estabilidade em outubro, segundo Edenred Ticket Log.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de dezembro de 2025 13

Pesquisas oficiais divulgadas neste mês mostram que o preço da gasolina, do diesel e do etanol segue elevado no Tocantins, apesar das reduções acumuladas promovidas pela Petrobras desde 2023. O cruzamento dos dados revela que a diferença entre o valor na refinaria e o preço final pago pelo consumidor está concentrada, sobretudo, na carga tributária estadual e nas margens de distribuição e revenda.

Quanto a Petrobras já reduziu

Desde 2023, quando a estatal abandonou a política de paridade automática com o mercado internacional, a Petrobras realizou cortes sucessivos nos combustíveis:

  • Gasolina: redução acumulada de aproximadamente R$ 0,78 por litro nas refinarias desde 2023

  • Diesel: redução acumulada superior a R$ 1,70 por litro no mesmo período

Esses cortes foram feitos em etapas, com o objetivo de amortecer choques externos e evitar repasses automáticos do dólar e do barril de petróleo ao consumidor brasileiro.

Mesmo com essas reduções, o preço médio da gasolina no Tocantins permanece acima da média nacional, e o diesel segue pressionando custos do transporte e da produção.

O peso dos impostos no Tocantins

No Tocantins, assim como nos demais estados, o ICMS sobre combustíveis segue o modelo ad rem, com valor fixo por litro definido nacionalmente.

Atualmente, os valores vigentes são:

  • Gasolina: ICMS de R$ 1,22 por litro

  • Diesel: ICMS de R$ 0,94 por litro

  • Etanol hidratado: ICMS de R$ 0,89 por litro

Esses valores são cobrados independentemente do preço final do combustível, o que significa que, mesmo quando há queda na refinaria, a parcela do imposto permanece inalterada.

Além do ICMS, a gasolina e o etanol também têm incidência de tributos federais, enquanto o diesel segue com tributação federal zerada, o que reforça o peso do imposto estadual e das margens comerciais na composição do preço final.

Onde o preço sobe entre a refinaria e a bomba

Dados das pesquisas indicam que, no Tocantins, a gasolina chega ao consumidor com diferença média superior a R$ 1,50 por litro entre o valor na refinaria e o preço final na bomba. No diesel, essa diferença também ultrapassa R$ 1,00 por litro em alguns municípios.

Segundo um economista ouvido pela reportagem, esse descolamento não é explicado apenas por impostos.

“A Petrobras reduziu preços de forma consistente nos últimos meses. O problema está na etapa seguinte: distribuição, revenda, logística e estrutura regional. Em estados como o Tocantins, distante das refinarias e com menor concorrência entre postos, o repasse da queda é lento ou incompleto”, analisa.

Ele explica que, durante o período de paridade internacional, os reajustes eram rápidos e frequentes, enquanto agora as reduções encontram resistência na ponta final da cadeia. “Quando o preço sobe, o repasse é imediato. Quando cai, o ajuste é gradual e muitas vezes parcial”, afirma.

Comparação com o período anterior

Entre 2019 e 2022, a política de preços da Petrobras estava atrelada diretamente ao dólar e ao barril de petróleo no mercado internacional. Nesse período, o Brasil registrou recordes históricos nos preços da gasolina e do diesel, com impactos diretos na inflação e no custo dos alimentos.

Naquele modelo, mesmo sem crises internas de abastecimento, os combustíveis subiam com frequência, e o consumidor absorvia integralmente as oscilações externas. Hoje, a estatal atua como amortecedor, mas o efeito dessa mudança ainda não é totalmente percebido na bomba.

Diferença entre cidades do Tocantins

O levantamento mostra que o combustível está mais caro em municípios com menor número de postos e maior distância das bases de distribuição. Já cidades com maior concorrência apresentam preços ligeiramente menores, embora ainda elevados.

Em alguns casos, a diferença entre o posto mais caro e o mais barato dentro do mesmo município ultrapassa R$ 0,50 por litro, o que reforça a importância da pesquisa antes de abastecer.

O que pode aliviar o preço

Especialistas apontam que novas quedas dependem menos da Petrobras e mais de três fatores:

  • revisão da carga tributária estadual

  • aumento da concorrência entre postos

  • fiscalização sobre margens de revenda

Enquanto isso, o consumidor segue sentindo no bolso um cenário em que o preço caiu na refinaria, mas ainda não chegou integralmente à bomba.

⏱️ LINHA DO TEMPO COMPARATIVA

Antes e depois da paridade internacional

2019–2022 | Paridade Internacional

  • Preços atrelados automaticamente ao dólar e ao barril de petróleo

  • Reajustes frequentes e imediatos, tanto para altas quanto para quedas

  • Gasolina e diesel atingem recordes históricos

  • Forte impacto na inflação, transporte e alimentos

  • Petrobras prioriza alinhamento ao mercado externo

2023–2025 | Fim da Paridade Automática

  • Política de preços baseada em custos internos e previsibilidade

  • Reduções acumuladas nas refinarias

    • Gasolina: cerca de R$ 0,78 por litro

    • Diesel: mais de R$ 1,70 por litro

  • Menor frequência de reajustes

  • Petrobras atua como amortecedor de choques externos

  • Preço final ainda pressionado por ICMS, logística e margens no varejo

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