Ansiedade em viagens de avião ou ônibus: como lidar antes, durante e depois do trajeto

Ansiedade em viagens de avião ou ônibus: como lidar antes, durante e depois do trajeto
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de dezembro de 2025 20

O aumento do fluxo de viagens em períodos de férias e fim de ano trouxe à tona um problema muitas vezes invisível: a ansiedade durante deslocamentos de avião ou ônibus. Psicólogos e psiquiatras alertam que sintomas como taquicardia, falta de ar, sudorese, tensão muscular, medo intenso e sensação de perda de controle são mais comuns do que se imagina, especialmente em trajetos longos.

Segundo especialistas em saúde mental, a ansiedade relacionada a viagens não se limita ao medo de acidentes. Ela pode estar associada à claustrofobia, à antecipação de situações fora do controle do passageiro, a experiências traumáticas anteriores ou a quadros de transtorno de ansiedade já existentes.

O problema tende a se intensificar em ambientes fechados, filas de embarque, decolagens, turbulências ou viagens rodoviárias prolongadas, nas quais o passageiro sente dificuldade de interromper o trajeto.

Antes da viagem: preparo reduz riscos

O primeiro passo para reduzir crises de ansiedade é o planejamento prévio. Especialistas orientam evitar chegar ao terminal com pressa, escolher assentos mais confortáveis e informar-se sobre o trajeto, tempo de viagem e paradas programadas.

A preparação emocional também é fundamental. Técnicas de respiração guiada, exercícios de relaxamento e práticas de atenção plena ajudam a reduzir a ativação do sistema nervoso antes do embarque. Evitar estimulantes como cafeína e bebidas energéticas nas horas que antecedem a viagem também contribui para diminuir sintomas físicos.

Para pessoas que já tiveram crises anteriores, o acompanhamento psicológico prévio pode ajudar a desenvolver estratégias personalizadas de enfrentamento.

Durante o trajeto: foco no corpo e no presente

Durante a viagem, a orientação é manter o foco no momento presente. Técnicas simples, como inspirar profundamente pelo nariz e expirar lentamente pela boca, ajudam a regular o ritmo cardíaco e reduzir a sensação de falta de ar.

Especialistas recomendam distrair a mente com música, podcasts, leitura ou vídeos leves. Em casos de ansiedade intensa, contrair e relaxar grupos musculares de forma alternada pode ajudar a aliviar a tensão corporal.

É importante lembrar que a crise de ansiedade, embora desconfortável, não representa risco físico imediato. Reconhecer os sintomas como passageiros e não perigosos é parte do processo de controle.

Quando a ansiedade vira sinal de alerta

Psicólogos e psiquiatras explicam que a ansiedade de viagem merece atenção profissional quando começa a limitar a vida da pessoa, levando à evitação constante de deslocamentos, prejuízo no trabalho ou sofrimento intenso antecipatório dias antes da viagem.

Em alguns casos, o tratamento pode incluir psicoterapia contínua e, quando indicado por médico, uso de medicação. Especialistas reforçam que a automedicação não é recomendada e que qualquer intervenção farmacológica deve ser avaliada individualmente.

Depois da viagem: observar e aprender

Após o trajeto, especialistas orientam observar como o corpo e a mente reagiram. Identificar o que funcionou para reduzir a ansiedade ajuda a construir estratégias mais eficazes para viagens futuras.

O aumento da procura por atendimento psicológico e psiquiátrico no Brasil nos últimos anos reforça a importância de tratar a saúde mental com a mesma seriedade dedicada à saúde física. A ansiedade em viagens é um fenômeno real, comum e tratável — e buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de cuidado consigo mesmo.

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