Consumidores de Guaraí relatam protesto em cartório por conta de energia antes do corte do serviço

Consumidores de Guaraí relatam protesto em cartório por conta de energia antes do corte do serviço
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de janeiro de 2026 14

Consumidores do município de Guaraí, no norte do Tocantins, relatam uma prática que tem gerado insatisfação e preocupação: contas de energia elétrica em atraso estariam sendo encaminhadas para protesto em cartório antes mesmo da suspensão do fornecimento do serviço. O procedimento resulta em despesas adicionais, que se somam ao valor original da fatura.

De acordo com os relatos, mesmo após a regularização do débito diretamente com a concessionária, o protesto segue em andamento no cartório. Para retirar o registro, o consumidor é obrigado a arcar com taxas cartorárias, valores que não integram a conta de energia e acabam impactando o orçamento familiar.

Embora a prática tenha respaldo legal, conforme prevê a legislação vigente, o procedimento tem surpreendido usuários que afirmam não esperar o protesto antes da data prevista para o corte do fornecimento. O descompasso entre a expectativa do consumidor e a medida adotada tem levado à busca por orientação junto aos órgãos de defesa do consumidor.

Casos semelhantes também têm sido relatados em outros municípios do Tocantins, indicando que a situação não se restringe a Guaraí. Diante disso, consumidores têm recorrido ao Procon Tocantins para solicitar esclarecimentos, exigir informações detalhadas sobre a dívida, datas de envio ao cartório, valores cobrados e, quando necessário, registrar reclamações formais.

Especialistas em defesa do consumidor orientam que, ao identificar atraso na fatura, o cliente procure imediatamente a concessionária para negociação, solicite informações por escrito sobre eventual encaminhamento ao cartório, mantenha comprovantes de pagamento e registre protocolos de atendimento. Também é recomendável quitar a conta até a data de vencimento sempre que possível, a fim de evitar custos adicionais decorrentes do protesto.

O que diz a Energisa Tocantins

Em nota, a Energisa Tocantins informou que o protesto em cartório é uma medida de cobrança administrativa prevista na Lei nº 9.492/97, podendo ser adotada a partir do atraso no pagamento. A concessionária afirma que atua em conformidade com as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e com a legislação civil vigente.

A empresa destacou ainda que os clientes são comunicados previamente sobre débitos em aberto por diferentes canais, como aviso na fatura, notificações impressas, mensagens por SMS, ligações telefônicas, WhatsApp e e-mail, desde que os dados cadastrais estejam atualizados. A Energisa informou também que oferece condições de negociação de débitos por meio do telefone 0800 721 3330 ou WhatsApp (63) 9 9222-6664.

Pedido de posicionamento do Procon Tocantins

O Diário Tocantinense solicitou posicionamento oficial do Procon Tocantins sobre a prática de protesto em cartório antes do corte do fornecimento de energia elétrica, especialmente quanto à orientação aos consumidores e à legalidade do procedimento à luz do Código de Defesa do Consumidor.

O pedido de nota foi encaminhado à superintendência do órgão. Assim que houver manifestação oficial, o texto será atualizado.

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