Incêndios recuam no Tocantins e área queimada em unidades de conservação cai em 2025
Após anos consecutivos de recordes negativos, o Tocantins registrou em 2025 uma redução no número de incêndios florestais e na área atingida dentro de unidades de conservação estaduais. Os dados constam em levantamento divulgado pelo Naturatins, órgão responsável pela política ambiental no estado.
A diminuição ocorre depois de um período crítico, especialmente entre 2020 e 2024, quando o Tocantins figurou entre os estados mais impactados por queimadas no país, com perdas ambientais expressivas, prejuízos à biodiversidade e impactos diretos sobre comunidades locais e atividades econômicas.
De acordo com o levantamento, a queda é mais significativa dentro das unidades de conservação, áreas legalmente protegidas que vinham sofrendo forte pressão nos últimos anos. Regiões que historicamente concentravam focos de incêndio apresentaram redução no número de ocorrências, embora algumas áreas ainda permaneçam em nível de atenção, sobretudo no período de estiagem mais severa.
Na comparação com anos anteriores, técnicos apontam que o recuo interrompe uma sequência de altas sucessivas tanto no número de focos quanto na extensão das áreas queimadas. Ainda assim, o estado segue em patamar considerado sensível, especialmente diante da vulnerabilidade do Cerrado e da proximidade do chamado “arco do desmatamento”.
Entre os fatores que explicam a redução estão a combinação de condições climáticas menos extremas em parte do ano, o reforço de ações preventivas e o fortalecimento do monitoramento ambiental. O Naturatins ampliou o uso de dados de satélite para detecção precoce de focos, intensificou operações de fiscalização e reforçou brigadas de combate ao fogo em áreas estratégicas.
Também houve avanço na articulação com municípios, forças de segurança e brigadas voluntárias, além de campanhas educativas voltadas a produtores rurais e comunidades do entorno das unidades de conservação. O objetivo foi reduzir o uso irregular do fogo e acelerar a resposta aos primeiros focos, evitando a propagação das chamas.
A redução das queimadas traz impactos ambientais diretos, como a preservação da fauna e da flora, a diminuição da degradação do solo e a proteção de nascentes e cursos d’água. No campo social, o recuo contribui para a redução de problemas respiratórios associados à fumaça e melhora a qualidade de vida de populações urbanas e rurais. Do ponto de vista econômico, há reflexos positivos sobre o turismo ambiental, a produção rural sustentável e a redução de gastos públicos com emergências ambientais.
Apesar do cenário mais favorável em 2025, especialistas e gestores alertam que o risco permanece. A tendência de eventos climáticos extremos, o avanço de áreas desmatadas no entorno de unidades protegidas e a pressão por expansão agropecuária mantêm o estado em situação de vulnerabilidade estrutural.
O desafio, segundo técnicos, é transformar a redução observada em política permanente, garantindo orçamento contínuo, equipes treinadas, integração entre órgãos e previsibilidade nas ações de prevenção. Sem isso, a queda pode se mostrar pontual, revertendo-se em ciclos futuros de estiagem mais severa.
A avaliação do Naturatins é de que o Tocantins deu sinais de melhora, mas ainda não pode ser considerado fora da zona de risco. A manutenção dos resultados dependerá da continuidade das políticas públicas ambientais e da capacidade do estado de antecipar cenários críticos nos próximos meses.