A Droga do Tio Sam na Terra do Petróleo

A Droga do Tio Sam na Terra do Petróleo
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 8 de janeiro de 2026 6

Ah, a Venezuela! Aquela nação abençoada por deuses caprichosos, que derramam rios de ouro negro do subsolo enquanto o povo dança salsa sobre pilhas de notas de bolívares sem valor. E quem aparece no pedaço, de terno e gravata vermelha, senão o grande caçador de dragões, Donald J. Trump, o homem que constrói muros invisíveis e tweets eternos?

Ele jurou que ia salvar o mundo da “ditadura socialista” de Maduro, mas, ó surpresa das surpresas, a única “droga” que o bilionário encontrou por lá foi… o petróleo!

Imagine a cena: Trump desembarca em Mar-a-Lago com óculos escuros e pasta de couro, farejando narcotráfico como um cão de caça em reality show. “Fake news!”, grita ele para as câmeras. “Maduro é o rei do pó branco!” Mas, cadê? Nada de cartéis colombianos, nada de mulas carregadas de cocaína.

Em vez disso, poços jorrando crude como champanhe em festa de magnata. Petróleo, esse entorpecente líquido que vicia mais que qualquer alcaloide – e que, convenhamos, é o verdadeiro crack da geopolítica.

Trump pisca, pisca de novo e pensa: “Isso aqui não é entorpecente, é negócio!”Lá nos EUA, o Tio Sam já lambe os beiços há décadas. Lembra do golpe de 2002? Aquela ajudinha discreta para derrubar Chávez, só pra garantir que as bombas-relógio do PDVSA explodissem na hora certa? Ou as sanções que transformaram o barril venezuelano em barganha de Black Friday?

Trump, o mestre do “art of the deal”, só atualizou o script: trocou o discurso anti-drogas pelo mantra “energy dominance”. Porque, no fim das contas, a guerra às drogas é só uma cortina de fumaça – preta, oleosa e altamente rentável. E o povo? Ah, o povo venezuelano ri por último, comendo arepas com feijão enlatado enquanto os gringos sonham com fracking no Orinoco. Maduro, o mago das marmitas, aplaude de camarote: “Obrigado, Donald, por provar que o socialismo não mata, mas o petróleo liberta… os acionistas da Exxon!” Moral da história?
Na selva da política internacional, o único vício real é o cheiro de dinheiro fóssil. Trump voltou de mãos vazias de “drogas”, mas de bolsos cheios de intenções. E a Venezuela? Continua dançando, com ou sem o Tio Sam na pista.

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